Cinco brasileiros são presos com pistola, coletes e drogas após morte de médico na Bolívia

Cinco cidadãos brasileiros foram presos na terça-feira (27) em Trinidad, na Bolívia, durante uma operação policial deflagrada após o assassinato do médico César Reyes Parada e as agressões que deixaram o colega de profissão dele, Julio Alfred Cassab, gravemente ferido.

Identificados como Lex Oliveira Gonzalves, Engresson Pereira Freitas, Igor Lucas Simas, Edilson Moura Santos e Egner Henrique Rodríguez Reychemback Filho, os detidos estavam em uma residência onde os agentes cumpriram mandado judicial de busca e apreensão e recolheram arma de fogo, munições, coletes balísticos, aparelhos celulares e entorpecentes.

A ofensiva que percorreu a área urbana de Trinidad e zonas rurais vizinhas reuniu efetivos da Força Especial de Combate ao Crime (FELCC), da Força Especial de Combate ao Narcotráfico (FELCN), da Direção de Prevenção e Investigação de Roubo de Veículos (DIPROVE) e da Interpol. Em entrevista ao jornal boliviano El Deber, o comandante departamental da Polícia de Beni, coronel Víctor Hugo Medina, avaliou o desfecho das buscas conjuntas. “Obtivemos resultados positivos na busca pelo esclarecimento do fato, que causou comoção”, afirmou.

Arsenal e drogas apreendidos

Nas buscas realizadas no interior do imóvel onde estavam os cinco brasileiros, as equipes encontraram uma pistola semiautomática da marca Canik TP9, calibre 9×19 milímetros, acompanhada de 97 cartuchos do mesmo calibre e três munições de calibre .38. No local também foram recolhidos dois coletes à prova de balas, seis telefones celulares e diversos documentos que passarão por análise pericial.

Durante a varredura em outros cômodos da casa, agentes da FELCN acharam sacos plásticos com maconha e outras substâncias encaminhadas para exames laboratoriais. Todo o material ficou retido sob custódia das autoridades, enquanto os cinco estrangeiros foram colocados à disposição do Ministério Público.

De acordo com o coronel Medina, o grupo é investigado inicialmente por suspeita de porte e posse ilegal de armas, tráfico de drogas e associação criminosa. Embora ainda não exista acusação formal contra os brasileiros pela morte do médico, promotores e unidades especializadas mantêm as diligências em andamento para reunir provas e verificar se há vínculo direto entre os capturados e o ataque.

Tortura, asfixia e roubo de cofre

O cerco policial em Trinidad começou na madrugada de segunda-feira (26), quando César Reyes Parada foi localizado morto dentro da própria casa. Conforme os relatórios da FELCC e do Ministério Público, a vítima tinha os pés e as mãos amarrados, além de uma toalha presa na boca com fita adesiva. O laudo do exame forense constatou marcas de violência física pelo corpo e apontou asfixia mecânica como a causa do óbito.

Atacado na mesma invasão, o médico Julio Alfred Cassab sofreu ferimentos graves e continua internado sob cuidados médicos. Segundo os investigadores, os criminosos fugiram levando um cofre com dinheiro da casa de Reyes Parada, o que levou a polícia a tratar o caso como roubo qualificado seguido de homicídio enquanto reconstrói a dinâmica da ação para identificar todos os autores.

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