Em virada histórica Lula é reeleito para 4º mandato como presidente do Brasil

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu o segundo turno das eleições presidenciais neste domingo (25) e permanecerá no comando do país até 2031. O resultado reverteu a vantagem obtida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) na primeira etapa da disputa e garantiu a Lula um quarto mandato na Presidência da República.

A vitória representa um resultado inédito desde a adoção do sistema de dois turnos previsto na Constituição de 1988. Até esta eleição, nenhum candidato à Presidência que havia terminado o primeiro turno atrás do adversário conseguira reverter a posição na votação seguinte.

Em 4 de outubro, Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula alcançou 45,16%. A diferença entre os dois foi de aproximadamente 2,2 milhões de votos. Nas semanas seguintes, as campanhas intensificaram a mobilização dos eleitores para a decisão deste domingo.

Lula continuará a trajetória iniciada em 2003, quando assumiu pela primeira vez a Presidência. Ele governou o país até 2010, em dois mandatos consecutivos, e retornou ao cargo em janeiro de 2023, após vencer Jair Bolsonaro nas eleições de 2022. O novo período à frente do Executivo federal terá início em janeiro de 2027 e seguirá até os primeiros dias de 2031.

A chapa vencedora manterá Geraldo Alckmin (PSB) na Vice-Presidência. A posse está prevista para 5 de janeiro de 2027, conforme o calendário estabelecido para o início dos novos mandatos presidenciais.

Campanha mudou estratégia após primeiro turno

A campanha petista reorganizou a coordenação política e a comunicação digital depois de terminar a primeira votação atrás de Flávio. Aliados de Lula defenderam ampliar a presença do presidente nas redes sociais, com vídeos gravados no formato selfie para estabelecer contato direto com os eleitores.

O deputado federal André Janones (Rede-MG) também criou um canal no WhatsApp chamado “Exército do Lula”, voltado à mobilização digital de apoiadores. O grupo reuniu milhões de seguidores em poucas semanas e foi alvo de ações da campanha adversária. Por decisão do ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o canal chegou a ficar temporariamente fora do ar.

A equipe de campanha também recebeu reforços de políticos do Nordeste. O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), passou a contribuir com a comunicação, enquanto o senador Camilo Santana (PT-CE) integrou a coordenação política. Rui Costa (PT-BA), ex-ministro e senador eleito pela Bahia, assumiu a articulação da agenda.

Lula ainda adotou uma estratégia diferente da primeira etapa ao participar de debates televisionados com Flávio. Os encontros tiveram provocações entre os dois candidatos, enquanto as campanhas disputavam a atenção dos eleitores na reta final.

Programas sociais e atos de rua entraram na disputa

A campanha petista associou a proposta de Flávio de reduzir despesas públicas a possíveis cortes em programas sociais, entre eles Farmácia Popular, Pé-de-Meia e Bolsa Família. O senador havia apresentado a intenção de promover um “tesouraço” nos gastos do governo caso fosse eleito.

Lula também anunciou medidas e propostas direcionadas a diferentes segmentos do eleitorado. Entre elas estavam a tarifa zero no transporte coletivo aos fins de semana e feriados, o perdão de dívidas de microempreendedores individuais e a ampliação do Pé-de-Meia para estudantes do ensino médio público e universitários.

A mobilização de apoiadores nas ruas foi outra frente da campanha. Desde o encerramento do primeiro turno, manifestações favoráveis à reeleição foram realizadas em capitais e cidades de diferentes regiões do país.

Na véspera da votação, as pesquisas eleitorais apontavam empate técnico entre Lula e Flávio. A disputa terminou com a vitória do presidente, que assumirá em janeiro seu quarto mandato à frente do governo federal.

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