PUBLICIDADE
Operação da PF investiga rede de internet no RJ ligada a preso em Campo Grande

PUBLICIDADE

A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 558 milhões em bens e valores de 40 pessoas e 42 empresas investigadas por suspeita de envolvimento em um esquema de controle do fornecimento de internet em comunidades do Rio de Janeiro. A medida integra a Operação Backbone, deflagrada pela Polícia Federal nesta segunda-feira (19), que também prevê a suspensão das atividades econômicas das empresas investigadas.

Entre os alvos está Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, que cumpre pena na Penitenciária Federal de Campo Grande desde 1996. A investigação aponta que ele teria ligação com a estrutura empresarial explorada pelo Comando Vermelho. A mulher dele, Márcia Gama dos Santos Nepomuceno, e o filho, Lucas Santos Nepomuceno, foram presos durante a operação.

Segundo a Polícia Federal, o grupo investigado impunha o controle do serviço nos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão, na zona norte do Rio. As apurações indicam que integrantes armados cortavam cabos e danificavam caixas de distribuição de operadoras regulares e concorrentes, além de impedir reparos na rede. Moradores e comerciantes eram pressionados a contratar provedores autorizados pela facção.

As empresas que recebiam permissão para atuar nas áreas pagavam taxas mensais ao grupo, segundo os investigadores. Registros contábeis atribuídos à organização indicaram que a cobrança pelo serviço de internet chegou a representar mais de 40% da arrecadação do Comando Vermelho no Complexo da Penha em um único mês.

A operação cumpre 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal. As diligências ocorrem no Rio de Janeiro e em Nova Iguaçu, São João de Meriti, Teresópolis, Maricá e Magé. Parte das ordens de prisão é direcionada a investigados que já estão no sistema penitenciário, inclusive em unidades federais.

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) será notificada para avaliar o cancelamento das autorizações e a interrupção dos serviços prestados pelas empresas. A operação prevê medidas para preservar o acesso à internet dos moradores das comunidades afetadas.

Os investigados são alvo de apurações por suspeitas de crimes como extorsão majorada, lavagem de dinheiro, interrupção de serviço telemático e desenvolvimento clandestino de telecomunicações. A operação integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela Polícia Federal no combate a organizações criminosas no Rio de Janeiro.

PUBLICIDADE

Veja também