Vigilante foi preso acusado de vazar rotina da PF para grupo do tráfico em Corumbá
Um vigilante que trabalhava na Delegacia da Polícia Federal em Corumbá foi preso nesta quinta-feira (15), acusado de usar o acesso à unidade para abastecer com informações internas uma organização investigada por tráfico internacional de drogas. Segundo a investigação, ele também guardava entorpecentes em casa e participava do transporte de cargas entre a Bolívia e o Brasil.
Enteado de um dos líderes apontados pela investigação, o vigilante teria informado ao grupo detalhes sobre a rotina da delegacia, movimentação de equipes policiais e situação de pessoas presas. Fotografias de apreensões e documentos produzidos dentro da unidade também teriam sido enviadas aos integrantes da organização.

As informações atribuídas ao vigilante ampliavam o conhecimento do grupo sobre movimentações policiais em Corumbá, principal ponto de entrada das drogas investigadas. A atuação dele é apurada dentro da Operação Capolinea, deflagrada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado de Mato Grosso do Sul.
Além do vazamento de informações, investigadores atribuem ao homem participação direta na logística do tráfico. Ele teria mantido drogas guardadas na própria residência e feito transportes entre território boliviano e brasileiro.
Uma das remessas ligadas ao vigilante acabou interceptada pela Polícia Rodoviária Federal em 13 de agosto de 2025, na BR-262, em Três Lagoas. Na fiscalização de um caminhão Scania, agentes perceberam que os pneus estepes estavam soltos das rodas e encontraram dentro deles aproximadamente 35 quilos de cocaína e 12 quilos de maconha.
O motorista abordado naquela ocasião declarou ter recebido os pneus em Corumbá para levá-los até Bauru, no interior de São Paulo. O filho dele seguia como passageiro e afirmou desconhecer a presença dos entorpecentes.
Informações internas se somavam à logística de transporte
A investigação identificou uma estrutura que utilizava diferentes formas de retirar drogas da região de fronteira. Caminhões empregados no transporte de minério de ferro apareciam entre os veículos usados pelo grupo, aproveitando o intenso fluxo de cargas entre Corumbá e Puerto Quijarro.
Funcionários ligados à atividade mineral também teriam sido aliciados para facilitar a movimentação dos caminhões. Entre os profissionais citados na apuração estão supervisores e operadores de balança, que recebiam pagamentos por Pix, conforme os elementos reunidos pelos investigadores.
Outras cargas foram escondidas em tanques de combustível e veículos utilizados no transporte de grãos. Depois de atravessar a fronteira, os entorpecentes seguiam para destinos em Mato Grosso do Sul, São Paulo, Goiás e Minas Gerais.
A análise de um celular apreendido durante as apurações permitiu reconstruir parte das relações entre os integrantes e chegar ao homem apontado como principal líder da organização, que estava na Bolívia havia cerca de seis anos.
Dentro dessa estrutura, o vigilante aparece na investigação em duas frentes: como homem com acesso a informações produzidas e movimentadas dentro da delegacia da Polícia Federal e como participante da própria circulação das drogas.
Preso durante o cumprimento das ordens judiciais desta quinta-feira, ele integra o grupo investigado por tráfico internacional de drogas e organização criminosa. A apuração sobre o vazamento das informações internas também passa a compor os elementos reunidos contra os integrantes da rede.

