Murais da UFMS em Corumbá ganham restauração e iluminação após 23 anos
A restauração dos murais do Campus do Pantanal da UFMS, em Corumbá, foi viabilizada por um projeto contemplado pelo Fundo de Incentivo à Cultura de Mato Grosso do Sul. Além da recuperação e reformulação das pinturas, a intervenção prevê a instalação de iluminação especial e sustentável na fachada voltada para a representação da fauna e da flora pantaneiras.
O Projeto Murais Artísticos e Ecológicos da Fauna e Flora Pantaneira foi selecionado no segmento de Artes Visuais do FIC/MS. A proposta ficou sob responsabilidade do engenheiro civil Diogo Rodrigues, especialista em restauração de patrimônio histórico e cultural com mais de 40 anos de atuação na área.

O trabalho recupera o conjunto criado pelo artista plástico Vinícius Ibanhez há 23 anos no Campus do Pantanal. As pinturas atravessaram mais de duas décadas expostas ao tempo e agora passam por uma intervenção que não se limita à recuperação das cores e dos traços originais.
Alguns elementos estão sendo reinterpretados pelo próprio artista durante a restauração. Uma arara foi substituída pelo dourado para reforçar a representação da água entre os elementos da natureza, enquanto a onça-pintada deixou a posição discreta da pintura original e passou a aparecer em primeiro plano, de frente para quem observa a fachada.
A iniciativa de inscrever o projeto no edital partiu de Diogo Rodrigues. Segundo o engenheiro, a proposta surgiu da relação que mantém com as artes plásticas e da identificação com Corumbá, especialmente pela presença da cultura regional na formação e no cotidiano da cidade.
A restauração também busca preservar a função concebida para os painéis quando foram produzidos. As imagens da fauna, flora e demais referências pantaneiras foram utilizadas para associar visualmente o campus ao território no qual está inserido e à identidade cultural de Corumbá.
Projeto avança para nova iluminação da fachada
A nova etapa prevê um sistema de iluminação para permitir que os murais também possam ser vistos durante a noite. A estrutura foi incluída como complemento ao trabalho artístico e deverá ampliar a visibilidade das pinturas após a conclusão da restauração.
Instalado às margens do Rio Paraguai, próximo à ligação entre Corumbá e Ladário, o conjunto passou a ser fotografado também por moradores e visitantes. Segundo Rodrigues, o movimento em torno dos painéis aumentou durante a restauração e reforçou o alcance da obra para além da comunidade universitária.

O engenheiro considera que a recuperação ganha significado adicional com a proximidade dos 50 anos de criação de Mato Grosso do Sul, que serão completados em 2027. A presença das obras dentro da universidade, segundo ele, também permite aproximar estudantes e professores das referências culturais e ambientais retratadas na fachada.
Rodrigues destaca ainda o papel do FIC/MS na viabilização de projetos culturais fora dos grandes centros e afirma que pretende acompanhar novos editais para tentar levar trabalhos semelhantes a outros municípios de Mato Grosso do Sul.
Com a restauração em andamento, o conjunto passa a reunir duas etapas do próprio trabalho de Ibanhez. A base artística produzida há 23 anos permanece reconhecível, enquanto mudanças de composição, técnica e representação incorporadas agora registram uma nova fase dos murais do Campus do Pantanal.

