Justiça belga retoma julgamento de ex-major acusado de importar 16 toneladas de cocaína
Ex-major nega ligação com operação avaliada em centenas de milhões de euros
Com novo colegiado de juízes e sob alta segurança, o julgamento do ex-major da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, Sergio Roberto de Carvalho, foi retomado nesta segunda-feira na Bélgica. O processo judicial analisa o suposto envolvimento do brasileiro na importação de 16 toneladas de cocaína pelo porto de Antuérpia, operação que, segundo as autoridades, movimentou centenas de milhões de euros e o colocou como referência internacional no tráfico de drogas. No centro do tribunal, os acusados permanecem em uma caixa de vidro. Advogados reclamam que o compartimento prejudica a comunicação com seus clientes durante as sessões.
Troca de juízes e operações nas investigações
A retomada do caso acontece após a substituição do grupo anterior de juízes do tribunal, em decisão determinada pelo Tribunal de Apelação de Gante. Antes, as audiências eram realizadas em uma sala menor, com policiais fortemente armados e mascarados próximos dos réus. Os magistrados agora concentram análises sobre a importação da carga de cocaína, que utilizava como fachada uma empresa de purificação de água, prática citada no processo como mecanismo de ocultação para o tráfico.
Sergio Roberto de Carvalho teve sua prisão realizada em 2022 na Hungria após permanecer foragido por anos. Em junho de 2023, autoridades formalizaram a extradição dele para a Bélgica, sob esquema rigoroso de segurança. O ex-major, apontado como figura-chave do esquema juntamente com Flor Bressers, nega todas as acusações apresentadas no tribunal. Advindo de uma família de comerciantes em Campo Grande, Carvalho passou de policial a investigado como líder de organização transnacional responsável por 45 toneladas de exportação de cocaína, cifra avaliada em cerca de R$ 2,2 bilhões. A comparação frequente ao narcotraficante colombiano Pablo Escobar desagradou o acusado e motivou ação judicial contra veículos de imprensa em Mato Grosso do Sul.
No andamento das investigações, operações coordenadas pelo Brasil levaram ao bloqueio de R$ 400 milhões em bens atribuídos ao ex-major e parceiros. Entre os bens estão joias, carros de luxo, imóveis localizados na Europa e 37 aeronaves, uma delas avaliada em 20 milhões de dólares. Em Portugal, autoridades apreenderam 12 milhões de euros em propriedade vinculada a Carvalho, enquanto na Espanha uma mansão ligada ao acusado foi cotada em 2,5 milhões de euros. Em 2020, ele havia escapado da Polícia Federal durante a operação Enterprise, adotando até a tática de manter versões desencontradas sobre seu paradeiro.


