Intervenções policiais deixam 30 mortos em agosto, recorde da série histórica em MS

Agosto terminou com 30 mortes decorrentes de intervenções policiais em Mato Grosso do Sul, o maior número registrado em um único mês desde o início da série histórica, em 2016. Com isso, o Estado chegou a 130 mortes desse tipo nos primeiros oito meses do ano, média de aproximadamente uma pessoa morta a cada dois dias.

O aumento ocorreu em um período marcado por uma sequência de confrontos envolvendo forças de segurança em diferentes regiões de Mato Grosso do Sul. Entre os episódios que contribuíram para a escalada está a morte de um policial boliviano, seguida de operações contra integrantes de um grupo criminoso do país vizinho.

A sequência ganhou força a partir de 7 de agosto, quando quatro integrantes de um grupo criminoso boliviano morreram durante confronto com equipes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), em São Gabriel do Oeste. Segundo as informações divulgadas na ocasião, os homens eram suspeitos de envolvimento na morte de um policial na Bolívia e tinham ligação com a aeronave interceptada pelas forças de segurança sul-mato-grossenses dias antes.

O avião havia entrado no espaço aéreo brasileiro em 31 de julho, procedente do sul da Bolívia. A aeronave não apresentava plano de voo, não havia feito comunicação com os órgãos responsáveis pelo controle do tráfego aéreo e estava com matrícula não identificada. A interceptação mobilizou a Força Aérea Brasileira (FAB), a Polícia Federal (PF), o Grupo Especial de Fronteira (Gefron) e o Bope.

Poucos dias depois da operação envolvendo a aeronave, novos confrontos foram registrados em diferentes pontos do Estado.

Em Campo Grande, no dia 10 de agosto, Jean Gabriel Rapini de Souza, de 24 anos, morreu após uma abordagem na Avenida Manoel Ferreira, no bairro Santo Antônio, nas proximidades do Aeroporto Internacional. Conforme a Polícia Militar, ele estava em um veículo, teria reagido à abordagem e estaria armado. Durante a ocorrência, teria saltado do carro em movimento.

Jean foi atingido por disparos, recebeu atendimento dos próprios policiais e morreu. A perícia e a Polícia Civil foram acionadas para os procedimentos de investigação.

O homem já havia sido apreendido em 2020, quando tinha 17 anos, por envolvimento em um caso de latrocínio ocorrido em Campo Grande. A vítima foi o taxista Luciano Barbosa Franco, de 44 anos.

Confrontos se espalharam pelo interior

Quatro dias depois, na madrugada de 14 de agosto, Rafael da Silva Nogueira, de 38 anos, e Daniel Braz dos Santos Silva, de 40 anos, conhecido como “Nego Drama”, morreram durante uma ação da Força Tática em Coxim.

Segundo as informações divulgadas na época, os dois eram suspeitos de atirar contra duas pessoas no bairro Senhor Divino. Após os ataques, teriam fugido e se escondido na região do Vale do Taquari. Durante as buscas, houve confronto com os policiais.

Rafael e Daniel foram atingidos e encaminhados ao Hospital Regional Álvaro Fontoura. As equipes médicas tentaram reanimar os dois, mas ambos morreram.

No dia 23, outro confronto terminou com duas mortes na MS-436, entre Figueirão e Alcinópolis. A ocorrência foi registrada a cerca de 20 quilômetros de Figueirão, próximo à rotatória de acesso à Fazenda Jangada.

Policiais de Figueirão, Alcinópolis e Costa Rica participavam da operação quando abordaram um Fiat Uno e uma motocicleta. De acordo com as informações preliminares, os condutores teriam reagido à abordagem, provocando uma troca de tiros. Os dois foram atingidos e morreram no local.

Já no último dia de agosto, três pessoas, sendo dois homens e uma mulher, morreram durante confronto com a Força Tática na BR-359, na zona rural de Coxim.

O trio estava em um Chevrolet Monza quando foi abordado. As circunstâncias que levaram à ação policial não foram esclarecidas nas informações divulgadas. Os três foram atingidos por disparos, receberam socorro dos próprios policiais e foram encaminhados ao Hospital Regional Álvaro Fontoura. Segundo os dados divulgados sobre o caso, morreram durante o deslocamento e chegaram à unidade já sem vida.

Também em 31 de agosto, Guilherme de Souza Oliva, de 24 anos, conhecido como “Sagaz”, morreu durante uma ação do Batalhão de Choque no bairro Aero Rancho, em Campo Grande.

Conforme o boletim de ocorrência, Guilherme teria sacado um revólver calibre .38 e apontado a arma contra os policiais ao perceber a aproximação da equipe. Os militares efetuaram disparos e ele foi atingido.

Guilherme chegou a ser socorrido e levado ao Hospital Regional de Campo Grande, mas não resistiu. Segundo o registro policial, ele tinha mandado de prisão em aberto e antecedentes criminais.

Os números da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), levantados pelo Correio do Estado, mostram que agosto superou os demais meses da série histórica iniciada em 2016. Antes disso, os maiores registros haviam sido contabilizados em julho deste ano, com 26 mortes, e novembro de 2023, com 19.

Setembro já começou com nova morte

A estatística também avançou nos primeiros dias de setembro. Neste domingo (6), Adrian Nunes Lima, de 21 anos, conhecido como “Bracinho”, morreu durante uma abordagem da Polícia Militar no Jardim Colúmbia, na região norte de Campo Grande.

A ocorrência foi registrada em uma residência da Rua Paranapebas. Segundo informações preliminares, equipes da PM faziam diligências na região quando chegaram ao imóvel onde Adrian estava.

Conforme a versão apresentada pela Polícia Militar, ele teria reagido à tentativa de abordagem e avançado contra os policiais armado com uma faca. Os militares efetuaram disparos, atingiram Adrian e prestaram socorro, encaminhando-o para uma unidade de saúde, mas ele não resistiu.

Os dados sobre as intervenções policiais são da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul.

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