Acordo entre órgãos acelera expropriação de fazendas com trabalho escravo em MS

Fiscalização em fazenda no Mato Grosso do Sul durante operação contra trabalho escravo

Parceria garante mais rapidez nas ações judiciais e reforça prioridade aos trabalhadores resgatados.

Um acordo assinado recentemente promete agilizar a expropriação de propriedades rurais flagradas utilizando mão de obra em condições análogas às de escravo no Mato Grosso do Sul. Com a medida, o Ministério Público do Trabalho, a Superintendência Regional do Trabalho e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária passam a atuar de forma integrada no cumprimento das decisões judiciais que visam a perda da posse desses imóveis e o redirecionamento das terras para programas de reforma agrária.

As duas principais áreas impactadas estão nos municípios de Corumbá e Porto Murtinho, somando 5.341 hectares. Na Fazenda Carandazal, em Corumbá, a fiscalização resgatou quatro trabalhadores submetidos à exploração no começo do ano passado. O histórico de reincidência registrado por autoridades foi determinante para o Ministério Público do Trabalho pedir, além da destinação social da fazenda, uma reparação de R$ 25 milhões pelos danos causados à sociedade. Em Porto Murtinho, ação movida contra a Fazenda Bahia dos Carneiros aponta resgate de sete pessoas, entre elas adolescentes e indígenas, de situação de exploração em abril do último ano, além do pedido de indenizações que acumulam R$ 8,9 milhões.

Fase atual dos processos e impactos da união institucional

O novo acordo de cooperação técnica tem validade inicial de cinco anos e estabelece fiscalização, intercâmbio de informações e acompanhamento contínuo dos processos em curso para destinação de propriedades rurais quando fica comprovado o uso de trabalho escravo. O plano também determina que os trabalhadores resgatados sejam priorizados na distribuição dos lotes após a expropriação.

No trâmite judicial, a situação varia entre os imóveis. Para a Bahia dos Carneiros, foi firmado um Termo de Ajustamento de Conduta que está sendo acompanhado pelo Ministério Público do Trabalho, e, por ora, o procedimento de expropriação permanece suspenso. Já na Fazenda Carandazal, apesar do reconhecimento em sentença das condições análogas à escravidão, a decisão judicial extinguiu o pedido de expropriação por entender que a competência caberia a outro juízo. O órgão ministerial recorre atualmente para reverter essa posição e retomar o andamento do processo.

O texto constitucional é usado como argumento central nas petições, destacando que a propriedade só existe enquanto cumpre função social, e infratores perdem esse direito onde há exploração de trabalho escravo, sem direito a indenização e com partilha imediata da terra para benefício coletivo. O novo pacto garante que o fluxo entre identificação, decisão judicial e destinação da terra seja mais dinâmico e coordenado, reforçando respostas rápidas sempre que forem identificadas situações semelhantes.

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