Estado se apresenta como próspero, mas vê déficit disparar, previdência romper R$ 869 milhões e poupança cair

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Mato Grosso do Sul fechou o terceiro bimestre de 2026 com R$ 460 milhões de déficit primário, enquanto as despesas públicas avançaram quase o dobro do ritmo de crescimento das receitas. Os números do Tesouro Nacional colocam em xeque a folga fiscal do Estado em meio ao discurso de uma economia próspera e em expansão.

Até o terceiro bimestre, a receita total chegou a R$ 13,67 bilhões, alta de 8% em relação aos R$ 12,7 bilhões registrados no mesmo período de 2025. As despesas, porém, passaram de R$ 11,3 bilhões para R$ 12,94 bilhões, crescimento de 14%.

É justamente esse descompasso que levou o resultado primário para o vermelho. O déficit de R$ 460 milhões corresponde a 4% da receita corrente líquida. No mesmo período do ano passado, o rombo era de R$ 18 milhões, equivalente a 2% da receita corrente líquida.

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A deterioração ocorre principalmente em duas frentes que pesam diretamente sobre o orçamento estadual. Os gastos com pessoal chegaram a 60% da receita total, enquanto o déficit previdenciário do Fundo em Capitalização avançou para R$ 869,37 milhões.

Previdência e pessoal comprimem espaço para investimentos

O peso da folha coloca Mato Grosso do Sul entre os estados com maior comprometimento da receita. O índice de 60% fica abaixo apenas de Paraíba, com 61%, e Rio Grande do Norte, com 68%, segundo os dados do Tesouro Nacional.

A estrutura das despesas mostra ainda que uma parcela significativa do dinheiro arrecadado está comprometida com a manutenção da máquina pública. Os gastos de custeio representam 24% da receita total. Investimentos correspondem a 9% e os serviços da dívida, a 3%.

Na Previdência Social, o problema se agravou de forma ainda mais acentuada. O déficit do Fundo em Capitalização passou de R$ 520 milhões no primeiro semestre de 2025 para R$ 869,37 milhões até o terceiro bimestre deste ano. O aumento representa uma diferença de aproximadamente R$ 349 milhões em apenas um ano.

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Déficit primário das contas públicas do Estado dispara no 3º bimestre de 2026 (Fonte: Tesouro Nacional)

Considerando todas as funções de governo, a Previdência consumiu R$ 3,29 bilhões, o equivalente a 22% das despesas totais de R$ 14,65 bilhões registradas no período.

Educação aparece em seguida, com R$ 2,5 bilhões, ou 17%. Segurança Pública recebeu R$ 1,39 bilhão, enquanto Saúde ficou com R$ 1,26 bilhão. Transporte consumiu R$ 1,14 bilhão e Administração, R$ 1,08 bilhão. O Judiciário representou R$ 870 milhões.

Outro indicador chama atenção. Mato Grosso do Sul apresentou a menor poupança corrente entre os estados, com apenas 6,4% da receita corrente líquida. Na prática, isso significa uma margem reduzida de recursos próprios depois de consideradas as despesas correntes para financiar novos investimentos.

A dívida consolidada também aumentou. O estoque correspondia a aproximadamente 72% até o terceiro bimestre, uma alta de 13% em relação ao valor registrado em 31 de dezembro de 2025. O percentual supera o de Mato Grosso, com 59%, e Goiás, com 56%.

Estado terá alívio com renegociação da dívida

O quadro fiscal ainda conta com uma saída negociada com o governo federal. Mato Grosso do Sul aderiu ao Propag e renegociou uma dívida de R$ 7,8 bilhões. Pelas novas regras, o Estado deverá deixar de pagar aproximadamente R$ 3,2 bilhões à União ao longo dos próximos 30 anos.

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Renegociação feita pelo Governo Federal deu Alívio as contas estaduais

O valor corresponde a cerca de 41% do saldo renegociado. A adesão ao programa foi feita por 22 estados, que, somados, terão uma redução estimada de R$ 347 bilhões nos pagamentos previstos à União durante as próximas três décadas.

A renegociação reduz a pressão do serviço da dívida, mas não resolve os fatores que produziram o atual déficit. Os dados do Tesouro mostram que, neste momento, o principal problema está no crescimento das despesas correntes acima da capacidade de expansão das receitas.

O resultado coloca uma questão central para as contas de Mato Grosso do Sul. Mesmo com o Estado apresentando indicadores de crescimento econômico e sustentando o discurso de prosperidade, a evolução fiscal mostra aumento do gasto, avanço do déficit previdenciário, forte comprometimento com pessoal e pouca margem para investimentos financiados com recursos próprios.

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