Estado ignora risco e obriga crianças a cruzar ponte interditada para ir à escola em MS
Há seis meses, a ponte sobre o Rio Aquidauana, que liga as cidades de Dois Irmãos do Buriti e Terenos, está interditada. Mesmo assim, crianças que vivem na zona rural de Dois Irmãos do Buriti, na região do Condomínio Bacuri, atravessam a estrutura a pé, uma a uma, para conseguir chegar ao ponto de embarque do transporte escolar.
O conserto, conforme a Agência Estadual de Empreendimentos de Mato Grosso do Sul (Agesul), só deve começar em outubro, o que mantém a rotina de risco.
A dona de casa Jucilene Pereira Benedito, mãe de um dos estudantes, de 13 anos, filma as travessias e acompanha tudo com aflição.
“Estão esperando acontecer uma tragédia, aí eles resolvem arrumar essa ponte”, desabafa. Além do filho dela, outras quatro crianças passam diariamente pela ponte para ir à escola. “E o ônibus não vai até a ponte. Após atravessarem, eles têm que andar mais 600 metros para cima, a pé, porque o ônibus não desce até a ponte”, conta. Do ponto de ônibus até a escola, no Assentamento 7 de Setembro, em Terenos, são mais 22 quilômetros de estrada vicinal.

Os transtornos não se limitam ao acesso dos estudantes. Jucilene relata que a comunidade também está sem acesso a serviços básicos de saúde. “Estamos sem acesso a posto de saúde. No meu caso, por exemplo, estou sem tomar uma vacina de que preciso. Minha vizinha, ainda hoje, perguntou se eu não conseguia ninguém para buscar o remédio de pressão dela. Se eu preciso de ração para a galinha, para um porco, tenho que pedir para alguém trazer até a ponte, pagar alguém para atravessar o saco de ração, a pé, para o lado de cá, para alimentar os animais. Sem contar os fazendeiros”, relata.
O guia de pesca Alex Chueriy, vice-presidente da Associação de Moradores do Recanto Nuara, do outro lado da ponte, em Terenos, também lista as dificuldades.
“E não são só as crianças que precisam atravessar a ponte para estudar. Do lado de lá, no Bacuri, não tem mercado, não tem nada. Os comércios estão todos no Nuara. Então, para você ir ao mercado comprar um óleo ou comprar pão cedo, tem que passar pela ponte”, conta. Alex explica que o trajeto alternativo para quem precisa deixar a região do Bacuri aumenta em cerca de três horas o tempo de viagem. “Tem que dar a volta por Cipolândia, passar pela Ponte do Grego e voltar para Terenos”, comenta.

Em nota, ao G1, a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Seilog) informou que o processo de contratação de uma empresa para realizar os reparos na ponte sobre o Rio Aquidauana, no Recanto Nuara, está em fase de licitação. A expectativa é de que, após a contratação da empresa vencedora, os serviços sejam iniciados em meados de outubro de 2026, informou a secretaria. O prazo estimado para a execução das obras é de 90 dias, acrescentou a Seilog.
