Canetas emagrecedoras exigem acompanhamento para evitar perda muscular

news 197484 1787411166

Canetas emagrecedoras, medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP‑1, apresentam eficácia no tratamento da obesidade, mas o uso sem acompanhamento pode provocar deficiência de vitaminas e perda excessiva de massa muscular, apontam especialistas entrevistados pela Agência Brasil.

Marcio Mancini, endocrinologista membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e coordenador do Departamento de Farmacoterapia da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica, explicou as causas desse risco.

“Quando o tratamento é iniciado, é preciso dar prioridade à densidade nutricional. O foco principal não deve ser apenas reduzir o tamanho das porções, mas garantir que as pequenas refeições sejam ricas em nutrientes.”

Segundo Mancini, o forte efeito de redução do apetite e o atraso no esvaziamento gástrico frequentemente fazem com que pacientes diminuam drasticamente a ingestão de alimentos, com consequente consumo insuficiente de proteínas e vitaminas.

O endocrinologista recomenda metas de proteína direcionadas ao risco do paciente, com valores próximos a 1,2 grama por quilo por dia para indivíduos jovens e saudáveis e cerca de 1,5 grama por quilo por dia para idosos ou pessoas com maior risco de sarcopenia.

Para evitar perda de massa magra, Mancini orienta monitoramento da composição corporal por exames como bioimpedância em consultório e densitometria corporal em laboratório, além de avaliar a função muscular com testes de força de preensão manual, conhecidos como hand grip, para prevenir perda de músculo superior a 25% do total do peso perdido.

“Por isso, é importante o trabalho de uma equipe multidisciplinar, com orientação do endocrinologista, do nutricionista e do educador físico no tratamento”

O especialista destaca ainda que entre as queixas mais comuns associadas ao uso não supervisionado estão queda e afinamento de cabelo e sintomas gastrointestinais persistentes, como náusea, constipação, flatulência e sensação de estufamento mais intensos que o habitual.

Recomendações práticas

Para contornar os efeitos colaterais e preservar a ingestão adequada de nutrientes, Mancini e a equipe apontam várias medidas comportamentais e dietéticas que se complementam: fracionar as refeições em porções pequenas e frequentes ao longo do dia, priorizar alimentos ricos em proteína no início da refeição, evitar preparações muito gordurosas que tendem a provocar náuseas e aumentar o consumo de fibras e líquidos para reduzir sintomas gastrointestinais.

Sinais de alerta a serem acompanhados

Os sinais que exigem atenção durante o uso das canetas emagrecedoras incluem diminuição da força física ou de mobilidade no dia a dia, possível indicativo de sarcopenia, alterações em exames laboratoriais como redução dos níveis de vitamina D, potássio, magnésio, ferro e vitamina B12, e restrição alimentar excessiva acompanhada de perda do prazer diante da comida, o que pode sinalizar que a dose do remédio está elevada para aquele paciente.

O relato de pacientes acompanhados por equipe especializada mostra resultados distintos: Amanda Vila Nova, mentora de mulheres, relatou resultado positivo com acompanhamento profissional e reposição vitamínica adequada.

“Não tive queda de cabelo nem unha enfraquecida pelo fato de ser acompanhada e fazer a reposição de vitaminas de forma correta”

As recomendações e alertas apresentados pelo endocrinologista foram divulgados à Agência Brasil e reforçam a necessidade de acompanhamento médico, nutricional e de atividade física estruturada durante o tratamento com esses medicamentos.

PUBLICIDADE


andorinha

Veja também