Soraya Thronicke critica hostilidade contra mulheres na política e entrega PL para combater crimes virtuais
Senadora aponta que mulheres são tratadas como inferiores e cobra igualdade de esforço no parlamento
Em meio ao debate sobre violência política de gênero, a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) afirmou que as mulheres eleitas são frequentemente tratadas como “intelectualmente inferiores” por colegas homens. Segundo a parlamentar, essa desvalorização obriga as representantes a se dedicarem duas vezes mais para alcançar o mesmo respeito concedido aos homens, e a diferença pode ser cinco vezes maior quando se trata de mulheres em situação de maior vulnerabilidade social. O ambiente partidário, na avaliação dela, segue estruturado para manter os espaços de poder sob controle masculino, especialmente nas áreas econômicas e orçamentárias, o que limita o avanço da representação feminina.
A senadora também destacou o papel das redes sociais como principal palco para ataques coordenados. Protegidos pelo anonimato, os agressores promovem linchamentos virtuais que ignoram o conteúdo das propostas. “Eles não debatem nosso trabalho. Os ataques são focados na nossa honra, na nossa vida pessoal e na nossa moral”, desabafou. Para ela, o volume diário de agressões tenta desestabilizar e silenciar as mulheres nos espaços de poder.
Ofensiva legislativa contra a impunidade virtual
Como resposta prática, Thronicke apresentou o Projeto de Lei nº 5.720/2025, que altera o Código de Processo Penal para dar prioridade de tramitação a crimes contra a honra cometidos na internet. A proposta também estipula prazos urgentes para que as plataformas forneçam dados que permitam identificar os autores, evitando que a morosidade técnica leve à prescrição dos crimes. Além disso, a senadora atua como relatora de projeto que equipara a misoginia ao racismo, o que intensificou as retaliações virtuais contra ela.
O PL 5.720/2025 beneficia qualquer cidadão, mas foi pensado para dar resposta rápida a ataques em massa de cunho misógino, que visam calar o mandato de parlamentares mulheres. Com prioridade em todas as instâncias judiciais, a proposta busca reduzir o vácuo temporal que hoje favorece os agressores na internet.


