Inpe aponta queda de 65% no desmatamento do Pantanal e de 11,5% no Cerrado
O desmatamento caiu 65% no Pantanal entre agosto de 2024 e julho de 2025, a maior redução proporcional entre todos os biomas brasileiros, com 291 km² desmatados. No Cerrado, a queda foi de 11,5%, mas o bioma ainda perdeu 7.235 km² de vegetação nativa, número que mantém a região como a maior área desmatada do país desde 2023.
Os dados foram divulgados pelo Inpe nesta sexta-feira (7), durante cerimônia de 65 anos do instituto, em São José dos Campos (SP), e tiveram a presença do presidente Lula.
A pressão sobre o Cerrado se concentra no Matopiba, região que abrange áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, destacou esses quatro estados como o principal foco do desmatamento no bioma. No Pantanal, o levantamento não detalha a parcela correspondente a Mato Grosso do Sul, estado que abriga parte do bioma.
Os números integram o Prodes, sistema do Inpe que monitora anualmente a supressão de vegetação nativa. No total do Brasil, a redução foi de 20%. Além do Pantanal e do Cerrado, os outros quatro biomas também apresentaram queda. A Amazônia teve recuo de 15,8%, com 5.111 km² desmatados. A Caatinga registrou 2.289,54 km², uma queda de 34,3%. A Mata Atlântica somou 402,36 km², redução de 15,32%. O Pampa fechou com 305,48 km², queda de 41,7%.
O instituto também apresentou dados mais recentes do Deter, sistema de alertas em tempo real, referentes ao período entre agosto de 2025 e julho de 2026. No Cerrado, a área sob alerta chegou a 5.119,46 km², com redução de 7,8% e menor índice dos últimos cinco anos. Na Amazônia, os alertas caíram 36%, totalizando 2.874,38 km², o menor valor da série histórica, 55,6% abaixo da média da década.
Pará e Mato Grosso lideraram os alertas na Amazônia, com 987,27 km² e 834,41 km², respectivamente, seguidos por Amazonas (433,9 km²), Roraima (272,6 km²), Acre (153,8 km²) e Rondônia (114,3 km²). Mato Grosso teve redução de 49% nos alertas, Amazonas de 46,7%, Rondônia de 41,2%, Acre de 35,3% e Pará de 25,5%. Apenas Roraima registrou aumento, com alta de 32,5%.
Na cerimônia, o presidente Lula relacionou a queda do desmatamento às tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil, afirmando que as políticas ambientais brasileiras não justificam as taxas. Ele reafirmou o compromisso do país de alcançar desmatamento zero até 2030. O Inpe, criado em 3 de agosto de 1961, produz estimativas anuais do desmatamento na Amazônia Legal desde 1988 e hoje acompanha todos os biomas.
