Assembleia aprova em primeira votação projeto que cria Dia Estadual do Tatu-Canastra em MS
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul aprovou, em primeira discussão, o Projeto de Lei 76/2026, que institui o Dia Estadual do Tatu-Canastra, a ser celebrado anualmente em 13 de agosto. A matéria, de autoria do deputado Professor Rinaldo Modesto, foi votada nesta quinta-feira (6) e contou com 15 votos favoráveis, sem nenhum contrário, durante sessão com a presença de 22 parlamentares. Ainda precisa passar por uma segunda votação antes de seguir para sanção do governador.
O tatu-canastra, conhecido cientificamente como Priodontes maximus, é considerado o engenheiro do Pantanal por escavar tocas que servem de abrigo para mais de 70 espécies de mamíferos, aves, répteis e outros animais. Essas galerias subterrâneas, mesmo abandonadas, continuam sendo utilizadas como proteção contra predadores, incêndios e temperaturas extremas, o que torna o animal peça-chave para o equilíbrio ecológico da região.
Origem e objetivos da proposta
A iniciativa partiu de uma solicitação do Instituto de Conservação de Animais Silvestres (ICAS), que desenvolve pesquisas e ações voltadas à proteção da espécie no Pantanal. O deputado Professor Rinaldo Modesto destacou que a ideia é ampliar a conscientização sobre a conservação da biodiversidade e enaltecer o trabalho do instituto em favor do ecossistema pantaneiro. “O objetivo é fortalecer as ações de educação ambiental, ampliar a conscientização sobre a conservação da biodiversidade.
O tatu-canastra é considerado o engenheiro dessa região. As tocas que ele faz se tornam ambiente seguro para outras espécies. É também uma forma de enaltecer o trabalho desenvolvido pelo ICAS em favor do equilíbrio do ecossistema pantaneiro”, afirmou o deputado durante a votação.
Segundo o parlamentar, somente em 2025 as ações de educação ambiental promovidas pelo ICAS alcançaram mais de 52 mil pessoas. A data escolhida, 13 de agosto, coincide com o Dia Internacional do Tatu, reforçando a importância da espécie no cenário global.
Programa de conservação e desafios
O Programa de Conservação do Tatu-Canastra teve início em 2010, na Fazenda Baía das Pedras, na região da Nhecolândia, em Corumbá. Desde então, pesquisadores utilizam armadilhas fotográficas, radiotransmissores, GPS e coleta de material biológico para estudar o comportamento de uma das espécies menos conhecidas da fauna brasileira. Após mais de uma década, 44 indivíduos já foram monitorados no Pantanal, mas o animal continua classificado como vulnerável.
A população é pequena, com cerca de sete a oito indivíduos a cada 100 quilômetros quadrados, e a reprodução ocorre de forma lenta, já que as fêmeas dão à luz apenas um filhote a cada três ou quatro anos. A perda de habitat, os incêndios florestais e a fragmentação ambiental são as principais ameaças à sobrevivência da espécie.
Além da pesquisa científica, o programa investe na formação de profissionais e na proteção do bioma. Mais de 100 estagiários e voluntários já foram capacitados em técnicas de conservação da fauna silvestre. Em 2021, o projeto ajudou a criar uma brigada comunitária de combate aos incêndios, que hoje reúne 25 propriedades rurais e atua na proteção de aproximadamente 160 mil hectares do Pantanal. Para os pesquisadores, preservar o tatu-canastra significa conservar toda a rede de vida que depende dele para sobreviver.
Se for aprovado em segunda votação e sancionado pelo governador, Mato Grosso do Sul passará a celebrar oficialmente, todos os anos, em 13 de agosto, o Dia Estadual do Tatu-Canastra, reforçando as ações de educação ambiental e de valorização de uma das espécies mais importantes para o equilíbrio do Pantanal.
