MS cria plano AdaptaSUS para preparar saúde em dez cidades contra El Niño
Campo Grande, Dourados, Corumbá, Ponta Porã, Aquidauana, Coxim, Miranda, Paranaíba, Caarapó e Porto Murtinho terão suas unidades de saúde preparadas para lidar com os efeitos do El Niño. A definição ocorreu durante a “Sala de Guerra”, realizada pela Agems (Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Mato Grosso do Sul) no Hotel Slaviero Prime, em Campo Grande.
O AdaptaSUS, criado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), busca identificar fragilidades e capacitar profissionais para reconhecer agravos relacionados ao clima. O coordenador da Vigilância em Saúde Ambiental e Toxicológica, Karyston Adriel Machado, explicou que a primeira etapa é um diagnóstico das unidades.
“Vamos fazer um diagnóstico dessas unidades de saúde, identificar o que pode melhorar e capacitar os profissionais para reconhecer quando determinado agravo à saúde está relacionado às condições climáticas. Em um dia muito quente, qual é a maior possibilidade? Em um dia muito frio, como a gente identifica e como atende? O AdaptaSUS identifica as fragilidades dos serviços de saúde e aponta como vamos nos adaptar diante das mudanças climáticas”, resumiu.
Cenário climático exige preparo
A meteorologista Ana Paula Paes, doutora em eletricidade atmosférica, apresentou dados da NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos) que indicam 97% de chance de permanência do El Niño até o início de 2027. A probabilidade de forte intensidade entre setembro e novembro é de 81%, com pico em outubro. Para Mato Grosso do Sul, a previsão é de chuvas acima da média de agosto a outubro e temperaturas elevadas em novembro e dezembro, o que pode reduzir a umidade do ar e aumentar o risco de queimadas.
Ana Paula ressaltou que eventos extremos deixaram de ser exceção. “O clima extremo não é mais uma exceção. Com as mudanças climáticas, estamos observando fenômenos cada vez mais intensos. Sabemos que haverá El Niño. A pergunta é: com qual intensidade?”, questionou. Ela também citou exemplos recentes, como as chuvas intensas no Rio Grande do Sul e os vendavais no Rio de Janeiro, e reforçou a importância dos alertas. “A previsão não serve apenas para dizer se vai ou não chover. Serve também para reduzir perdas”, afirmou.
O coronel Hugo Djan Leite, da Defesa Civil Estadual, ponderou que Mato Grosso do Sul ainda não enfrentou um desastre climático de grandes proporções, mas destacou a exceção dos incêndios florestais. “Nosso desastre está pulverizado, espalhado durante todo o ano”, completou.
O diretor-presidente da Agems, Carlos Alberto Assis, defendeu a criação da “Sala de Guerra” como ferramenta de planejamento. “É para conhecimento, planejamento, entender o que pode acontecer. Deus queira que não aconteça, mas que a gente esteja preparado”, finalizou.
