SES afirma ter seguido protocolos após paciente morrer depois de esperar por 7 horas em ambulância em Dourados
Secretaria atribui admissão à organização do hospital, enquanto Polícia Civil apura possível omissão de socorro no atendimento à paciente
A Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul informou que os protocolos técnicos foram cumpridos na transferência de Eva Pereira Cavalcante, de 65 anos, para o Hospital Presbiteriano Mackenzie, em Dourados. A paciente permaneceu cerca de sete horas em uma ambulância antes de ser internada e morreu após a admissão, enquanto a Polícia Civil investiga o caso como omissão de socorro.
Eva apresentava infarto agudo do miocárdio e foi encaminhada de Rio Brilhante pelo sistema de vaga zero, usado para pacientes em estado crítico, com risco de morte ou sofrimento intenso. A SES informou que um médico regulador tomou a decisão com base em critérios técnicos e assistenciais, e que o hospital, referência regional no atendimento de síndromes coronarianas agudas, recebeu aviso prévio sobre a transferência.
Espera após a chegada ao hospital
O encaminhamento foi autorizado pelo Sistema CORE, que também liberou o transporte, conforme a secretaria. Um boletim de ocorrência registrado pela equipe médica responsável pela remoção aponta que a ambulância chegou ao hospital por volta de 0h40, mas Eva permaneceu no veículo até aproximadamente 7h, apesar da autorização prévia da Central de Regulação do Estado.
Em nota divulgada na quarta-feira (30), um dia depois de o caso vir a público, a SES sustentou que a Central de Regulação “adotou todas as medidas operacionais previstas para acompanhamento da ocorrência”. A pasta também declarou que “a internação, na unidade de destino, está relacionada à organização interna” do hospital e lamentou a morte, além de prestar solidariedade aos familiares e amigos da paciente.
O Hospital Presbiteriano Mackenzie ainda não apresentou manifestação oficial nem explicou os motivos da demora na admissão. A investigação deverá verificar se houve falha no protocolo de vaga zero e se o período de espera teve relação com a morte, cuja causa oficial não foi informada.

