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Estudo aponta risco maior de câncer gestacional após cesárea em casos de mola; MS tem uma das maiores taxas do procedimento

Sistema de verificação obrigatório para partos é implantado em hospitais de MS. Checklist médico em quatro etapas aumenta segurança de mães e bebês.
Hand of assistant or nurse holding that of pregnant female

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) acendeu um alerta sobre um possível fator de risco para a neoplasia trofoblástica gestacional, forma de câncer que pode surgir após uma mola gestacional. A pesquisa identificou que mulheres que passaram por cesariana e posteriormente desenvolveram a condição apresentaram um risco 45% maior de evolução para a doença. O resultado ganha relevância em Mato Grosso do Sul, onde quase sete em cada dez partos ocorrem por meio de cirurgia cesariana.

Dados do DataSUS mostram que, entre janeiro e maio de 2026, o Estado registrou 12.768 partos, dos quais 8.647 foram cesarianas, o equivalente a 67,7% dos nascimentos. Em 2025, foram contabilizados 39.334 partos, sendo 26.600 realizados por procedimento cirúrgico.

O que é a mola gestacional

A mola gestacional é uma alteração rara causada por uma fecundação anormal. Em vez do desenvolvimento de uma placenta saudável, ocorre a formação de um tecido anormal dentro do útero, tornando a gestação inviável.

Dependendo do tipo da alteração, pode não haver formação de embrião ou ocorrer o desenvolvimento de um feto com alterações genéticas incompatíveis com a vida.

Segundo os pesquisadores, a complicação mais grave da doença é a neoplasia trofoblástica gestacional, que pode surgir quando células anormais permanecem no organismo após a retirada da mola. Em até 20% dos casos, essas células evoluem para câncer.

Pesquisa acompanhou quase três mil pacientes

O estudo analisou informações de 2.904 pacientes atendidas entre 2002 e 2022 na Maternidade Escola da UFRJ e no Centro de Doença Trofoblástica da Nova Inglaterra, vinculado à Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.

Os pesquisadores observaram que 26,5% das mulheres com histórico de cesariana desenvolveram neoplasia trofoblástica gestacional, enquanto o índice foi de 20,8% entre aquelas que nunca haviam sido submetidas ao procedimento.

Os autores destacam que a associação foi identificada exclusivamente entre pacientes que desenvolveram mola gestacional e não significa que mulheres submetidas à cesariana apresentem, de forma geral, risco maior de desenvolver câncer.

Cicatriz da cesárea pode favorecer invasão das células

A médica Gabriela Paiva, líder da pesquisa, explica que a principal hipótese é que a cicatriz deixada pela cesariana represente uma área mais vulnerável dentro do útero.

“A cicatriz da cesárea é uma área frágil dentro do útero.”

Segundo a pesquisadora, essa região pode funcionar como uma “porta de entrada”, facilitando a invasão das células anormais da mola para a parede uterina.

Cesariana continua sendo procedimento essencial

O coordenador do Ambulatório de Doença Trofoblástica Gestacional da UFRJ, Antônio Braga, reforça que os resultados do estudo não diminuem a importância da cesariana quando há indicação médica.

“Cesariana é uma cirurgia salvadora de vidas, muito importante para garantir a segurança da mãe e do bebê.”

O especialista afirma, porém, que o procedimento deve ser realizado com indicação adequada e que os novos achados científicos passam a integrar o conjunto de informações sobre possíveis efeitos de longo prazo da cirurgia.

Diagnóstico precoce aumenta chances de cura

O tratamento da mola gestacional envolve a retirada do tecido anormal, seguida pelo monitoramento periódico dos níveis do hormônio hCG (gonadotrofina coriônica humana). Caso haja evolução para a neoplasia trofoblástica gestacional, a paciente pode necessitar de quimioterapia.

De acordo com Antônio Braga, o acompanhamento em centros especializados é determinante para reduzir complicações.

“É fundamental que essas mulheres sejam atendidas em um centro de referência.”

Segundo o pesquisador, quando o tratamento é iniciado de forma adequada, a maioria das pacientes alcança a cura e pode voltar a engravidar futuramente.

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