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Pesquisadores propõem derivados de leite para evitar extinção do ovino pantaneiro

ovino pantaneiro

A Universidade Federal da Grande Dourados apresenta como alternativa para evitar a perda do ovino pantaneiro a produção de derivados do leite capazes de criar mercado e renda para criadores. Existem menos de 400 exemplares em rebanhos controlados em Mato Grosso do Sul e a oferta limitada, a consanguinidade e a ausência de reconhecimento oficial pelo Ministério da Agricultura colocam a manutenção desse agrupamento genético em risco.

A proposta concentra-se em queijos ricota iogurtes doces de leite e sorvetes por se tratar de um leite com elevado teor de sólidos bom rendimento industrial e cerca de 8 por cento de proteína o que representa aproximadamente o dobro do leite bovino além de glóbulos de gordura menores que favorecem a digestibilidade.

O ovino pantaneiro reúne características adaptativas ao Pantanal e ao Cerrado que o diferenciam de raças introduzidas. “A gente está precisando de uma genética que responda rápido às mudanças climáticas, e a pantaneira é uma alternativa que nós temos ainda” afirma Fernando Miranda de Vargas Junior coordenador da pesquisa e doutor em Zootecnia. Essa resistência a calor períodos de seca e de cheias e a menor susceptibilidade a enfermidades reduz a dependência de medicamentos e insumos usados em raças importadas.

O aproveitamento do leite como estratégia de conservação surgiu após 22 anos de trabalho iniciado em 2004 quando os professores Fernando Miranda de Vargas Junior e Charles Martins mapearam propriedades do Pantanal e deram início a análises genéticas que em 2006 confirmaram características próprias do ovino pantaneiro. Desde então a equipe produziu mais de 30 dissertações 10 teses e cerca de 50 artigos científicos sobre genética reprodução carne couro lã leite e adaptação desses animais.

Pesquisadores identificaram uma linhagem com aptidão leiteira e projetaram um plano de negócios para pequenas propriedades que mostra viabilidade econômica. Em simulação um produtor com aproximadamente sete hectares e um rebanho de 30 animais sendo 20 ovelhas em lactação poderia obter renda estimada em torno de três salários mínimos mensais apenas com queijos além da venda de cordeiros.

A legislação brasileira já permite que pequenos produtores fabriquem derivados na propriedade por meio do selo artesanal reduzindo a dependência de intermediários e permitindo agregar valor localmente. “Ele produz transforma e entrega o produto já com valor agregado” resume o pesquisador ao explicar a vantagem do selo artesanal.

A maior parte dos exemplares está concentrada em rebanhos da própria UFGD da Embrapa e da UEMS e por pertencerem a instituições públicas esses animais enfrentam limitações para comercializar reprodutores e ampliar a criação. A certificação oficial pelo Ministério da Agricultura é apontada como medida capaz de dar mais segurança aos criadores facilitar a comercialização e estimular a expansão dos rebanhos. Em expedições recentes os pesquisadores localizaram ovinos pantaneiros em apenas cinco das cerca de cem propriedades visitadas o que ilustra a substituição por raças exóticas e a dificuldade de encontrar exemplares no Pantanal.

Com rebanhos reduzidos o risco de consanguinidade cresce comprometendo a variabilidade genética ao longo do tempo. Para minimizar esse problema as instituições de pesquisa promovem a troca de ovelhas e reprodutores entre seus rebanhos estratégia que ajuda a preservar a diversidade e manter a população em rebanhos controlados.

Os estudos também exploram usos variados da produção além do leite e da carne como a utilização da lã e do sebo no desenvolvimento de sabonetes ensaios do uso da lã em concreto e em telhas de cimento e experimentos de cobertura biodegradável do solo na agricultura. Testes indicaram redução da temperatura do solo maior retenção de água e melhoria das condições microbiológicas apontando possibilidades de aproveitamento sustentável que agregam valor ao patrimônio genético desenvolvido ao longo de gerações no Pantanal.

“A gente ainda vai se aposentar e não terá terminado tudo o que precisa estudar sobre o ovino pantaneiro” afirma Fernando Miranda de Vargas Junior.

As informações são do Campo Grande News

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