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Comandante do Choque diz que policiais reagem a ameaças e atribui aumento de confrontos à disputa entre facções

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O comandante do Batalhão de Choque da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, major Cleyton Santos, afirmou que os policiais são treinados para reagir quando identificam uma ameaça iminente durante abordagens e que não precisam aguardar que um suspeito efetue disparos para agir. A declaração foi feita nesta segunda-feira (27), durante coletiva de imprensa sobre a operação que terminou com a morte de dois suspeitos em Ivinhema.

Os dois homens mortos são apontados pela Polícia Civil como autores da execução de Jean Marlon Conceição da Silva, de 28 anos, conhecido como “Zoi”, assassinado no último dia 20.

Durante a entrevista, o comandante também comentou o aumento das mortes decorrentes de confrontos com forças de segurança em Mato Grosso do Sul. Segundo ele, o Estado contabiliza 89 mortes em confrontos em 2026, número 16 superior ao registrado no ano anterior.

Disputa entre facções, segundo o comandante

Ao ser questionado sobre o crescimento desses casos, o major atribuiu o cenário ao comportamento de criminosos envolvidos em disputas territoriais entre facções.

“Estamos vivendo um momento cíclico. Tem ano em que a criminalidade acaba sendo um pouco mais audaciosa. Essa guerra entre criminosos, essa guerra territorial, acaba fazendo com que eles fiquem mais aguerridos e confrontem mais as equipes policiais”, afirmou.

Segundo o comandante, a missão da Polícia Militar continua sendo prender suspeitos e apresentá-los ao sistema de Justiça. Ele afirmou que o uso da força letal ocorre apenas diante de uma ameaça considerada iminente.

“O policial militar, em nenhum momento, vai para uma ocorrência com o intuito de ceifar a vida de alguém. A nossa função primária é fazer com que o criminoso seja levado à Justiça. A opção pelo confronto é do criminoso”, declarou.

“Não precisa esperar o disparo”, diz major

Ao explicar os protocolos adotados durante abordagens, Cleyton Santos afirmou que uma reação policial pode ocorrer quando há indícios concretos de que o suspeito está prestes a atirar.

“Perguntaram se o indivíduo tinha atirado contra os policiais. Eu respondi que não, mas ele fez menção e estava pronto para atirar. Não tem como eu exigir do meu policial que espere o indivíduo atirar para que ele possa tomar uma atitude”, disse.

Como contraponto, o comandante citou uma ocorrência registrada em Caarapó, na qual um homem armado informou aos policiais que carregava uma pistola na cintura e decidiu se entregar sem oferecer resistência.

“Ele levantou as mãos e falou: ‘Senhor, eu estou armado, minha arma está na cintura’. Ele se entregou, foi levado à Justiça e a arma foi apreendida. Agora, tem o criminoso que opta pelo confronto para tentar fugir, e os nossos policiais, muito bem treinados e equipados, precisam reagir para cessar essa injusta agressão”, enfatizou.

Estatísticas e lembrança de policial morto

Durante a coletiva, o major também relembrou a morte do policial militar Marcelo Pimenta, atingido por um disparo de fuzil durante uma ocorrência em Corumbá.

Segundo ele, episódios como esse reforçam a necessidade de atuação das equipes diante de situações de risco.

“Ninguém gosta de ir para uma ocorrência e tirar a vida de alguém. Definitivamente essa não é a nossa prioridade. A nossa prioridade é tirar a arma de circulação, levar os criminosos à Justiça e trazer paz social para a sociedade”, afirmou.

O comandante informou ainda que, somente em 2026, o Batalhão de Choque efetuou 275 prisões em flagrante e apreendeu 138 armas de fogo em Mato Grosso do Sul.

*Com informações Campo Grande News

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