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Energisa corta ligações clandestinas e deixa mais de 200 famílias sem luz em Campo Grande

Técnicos removendo fios e transformador na Agrovila Campão enquanto moradores e policiais observam
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Energisa realizou nesta quinta-feira corte de ligações irregulares na Agrovila Campão e retirou fios e um transformador deixando mais de 200 famílias sem energia e sem água

A intervenção da concessionária na manhã de quinta-feira deixou a comunidade Agrovila Campão, na saída para Sidrolândia, sem fornecimento de energia e comprometeu o abastecimento de água em mais de 200 famílias que vivem no loteamento irregular. A operação durou aproximadamente uma hora e as equipes removeram a fiação e um transformador instalado próximo ao assentamento. As informações são do Campo Grande News

O local, segundo moradores, funciona há cerca de quatro anos com ligações clandestinas que alimentavam residências e bombas de poço. Sem eletricidade, os sistemas que puxam água para as casas ficaram inoperantes e a falta de água passou a ser apontada como o impacto mais imediato pelos residentes.

Reclamações e pedidos de regularização

O líder local descreveu as ações anteriores da concessionária e relatou as tentativas de resolver a situação junto a autoridades. “Da outra vez, eles vieram, arrancaram toda a fiação e levaram. É direito deles. Só que eles não deixam nada, chegam arrancando tudo”.

Moradores informaram que já buscaram vereadores, deputados e a prefeitura na tentativa de obter regularização da área e do serviço. Em relatos sobre uma reunião anterior, o líder citou promessas de que as instalações não seriam retiradas antes da apresentação de alternativa. “Houve uma reunião em que disseram que não mexeriam com a gente. O secretário falou que ninguém mexeria com a gente e que era para ficarmos sossegados até regularizarem a questão da energia”.

A comunidade afirma não se opor ao pagamento pelo fornecimento e defende a implantação de um padrão coletivo ou social que permita a ligação formal mesmo sem endereço regularizado. “Ninguém está se recusando a pagar pela energia. A gente só quer que eles coloquem um padrão social e forneçam energia para nós”.

Os moradores dizem ter custeado parte dos materiais com contribuições internas para efetuar as ligações irregulares e reclamam de ausência de notificação prévia sobre a ação desta quinta-feira. “Nós já fizemos cota e contribuição entre mais de 200 famílias para conseguir puxar a energia. Aí eles simplesmente vêm aqui, não entregam nenhuma notificação para a gente e só chegam arrancando tudo”.

Entre as famílias atingidas está uma mulher venezuelana que relatou preocupação com medicamentos que precisam ser mantidos refrigerados e com terapias que dependem de energia elétrica. “Além disso, preciso me medicar e fazer uma terapia que utiliza energia, porque sofro com problemas nos ossos. Eu fico preocupada com a comida e com os medicamentos”.

Outro morador destacou a impossibilidade de retirar água do poço sem as bombas elétricas e afirmou que muitas famílias foram para a ocupação após deixarem de pagar aluguel. “Sem energia, a gente não pode fazer nada, principalmente por causa da água. A água é uma das coisas de que mais precisamos, e eles chegam aqui e cortam tudo”. Em seguida ele acrescentou questionamento sobre como a comunidade vai acessar a água disponível no local. “Nós temos água no poço, mas, sem energia, o que vamos fazer? Como vamos retirar essa água?”.

Durante a operação um grupo de moradores acompanhou o trabalho e equipes da Polícia Militar permaneceram no local para evitar tumultos. Não houve registro de confusão nem de bloqueio da rodovia durante a ação.

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