Grazielle Machado morreu por choque anafilático, aponta laudo divulgado pela família
O laudo médico divulgado pela família da ex-deputada estadual Grazielle Machado apontou que a causa da morte foi um choque anafilático. A informação consta em nota oficial divulgada na manhã desta segunda-feira (29) pelo gabinete do deputado estadual Londres Machado, pai da ex-parlamentar.
Segundo o comunicado, o documento médico concluiu que Grazielle morreu em decorrência de uma reação alérgica grave. A nota, no entanto, não informa qual substância provocou o choque anafilático.
A divulgação do laudo modifica a principal linha de apuração que circulava desde a internação da ex-deputada. Inicialmente, havia suspeita de que ela pudesse ter sido infectada por Salmonella após consumir camarão, hipótese que passou a ser amplamente mencionada nos primeiros relatos sobre o caso. O comunicado oficial, porém, não confirma essa suspeita nem relaciona o óbito a qualquer alimento específico.
Grazielle morreu na madrugada de quarta-feira (24), após permanecer internada por dois dias em um hospital de Campo Grande. Conforme informações apuradas inicialmente, ela passou mal depois de consumir um prato de macarrão com camarão, alho e óleo na segunda-feira (22), sendo levada à unidade hospitalar logo após o início dos sintomas.
Na semana passada, o Hospital Cassems havia informado, por meio de nota, que não divulgaria a causa da morte da ex-deputada por questões de sigilo médico.
O choque anafilático é uma reação alérgica intensa e de evolução rápida. O organismo reage de forma exagerada à exposição a determinadas substâncias, como alimentos, medicamentos ou picadas de insetos, liberando compostos que provocam queda brusca da pressão arterial e comprometem a circulação sanguínea. Sem atendimento imediato, órgãos vitais podem deixar de receber oxigênio em quantidade suficiente.
Na nota divulgada nesta segunda-feira, a família também destacou a trajetória política de Grazielle Machado. O texto relembra que ela iniciou a carreira como vereadora de Campo Grande, foi eleita deputada estadual e teve atuação voltada para pautas sociais, de saúde e de defesa dos direitos das mulheres. Após deixar a Assembleia Legislativa, continuou participando da vida pública e mantinha vínculo com lideranças políticas e comunitárias de Mato Grosso do Sul.
Filha do deputado estadual Londres Machado (PP) e da ex-prefeita de Fátima do Sul, Ilda Salgado, Grazielle era publicitária, professora e dirigiu a revista Ímpar. Foi eleita vereadora de Campo Grande em 2004 e reeleita por mais dois mandatos. Em 2014, conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, sendo a mulher mais votada daquela eleição para o Legislativo estadual.

Ela não disputou a reeleição ao cargo de deputada e tentou retornar à Câmara Municipal nas eleições de 2024, quando ficou na suplência. Atualmente, exercia a função de assessora na Secretaria de Estado da Casa Civil de Mato Grosso do Sul. Grazielle deixou o marido e dois filhos.
A morte da ex-parlamentar provocou grande repercussão no meio político. Em homenagem, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul e a Câmara Municipal de Campo Grande decretaram luto oficial de três dias.
