Corumbá restringe fogos com estampido durante Banho de São João
Corumbá restringiu novamente o uso de fogos com estampido nas festividades do Arraial do Banho de São João, que começaram na noite de sexta-feira, 19, e seguem até 23 de junho, data em que se realiza a descida dos andores e o banho do santo na Prainha do Porto Geral.
A medida integra a política da administração municipal para grandes eventos públicos e foi adotada com o objetivo de atenuar os efeitos nocivos do excesso de ruído em grupos sensíveis, além de reduzir impactos ambientais nas margens do rio Paraguai.
O prefeito Dr. Gabriel Alves de Oliveira considera a restrição um passo importante para ampliar a inclusão e o bem-estar da população.
“Estamos construindo uma cidade cada vez mais inclusiva e consciente. A tradição do Banho de São João é preservada em toda a sua essência, mas é possível celebrar respeitando as pessoas que sofrem com os estampidos e também o meio ambiente. Essa é uma medida de cuidado com a nossa população”
Inclusão e atendimento a grupos sensíveis
A decisão atende especificamente às demandas de pessoas com transtorno do espectro autista, neurodivergentes, idosos, crianças e animais, pela vulnerabilidade desses públicos a ruídos intensos e repentinos. A Prefeitura destaca que a opção por restringir fogos em grandes festas já vinha sendo aplicada desde o Carnaval.
Wanessa Rodrigues, diretora-presidente da Fundação da Cultura de Corumbá, explicou o alcance social da iniciativa antes de detalhar a prática adotada pela gestão cultural.
“Desde o ano passado, na verdade desde o Carnaval, optamos nos grandes eventos por não utilizar fogos. É uma medida de respeito às crianças e pessoas com TEA e neurodivergentes, idosos e animais, porque sabemos que isso provoca impactos negativos. Uma criança, por exemplo, pode sofrer uma sobrecarga sensorial. O que buscamos é que todos possam acessar e participar dos nossos eventos”
Além da restrição dos fogos com estampido, a Fundação desenvolve campanhas de conscientização sobre inclusão ao longo das festividades e orienta a organização para que o evento seja acessível a todos os públicos.
“Estamos alinhados com essas questões sociais que são demandas da sociedade e que precisam ser consideradas na organização dos eventos públicos”
Meio ambiente e preservação do patrimônio
A Fundação da Cultura também aponta benefícios ambientais na limitação dos fogos, citando a proteção do rio Paraguai como fator determinante, já que o curso d’água é elemento central do patrimônio cultural representado pelo Banho de São João.
“Se você faz a queima de fogos na beira do rio, esses resíduos acabam indo para dentro da água. O rio Paraguai desempenha um papel fundamental dentro desse patrimônio que é o Banho de São João. Sem o rio, não existe o banho. Por isso, precisamos ter consciência da importância da preservação”
Entre as medidas voltadas à redução de poluição e resíduos, a Fundação orientou quadrilhas e apresentações culturais a evitarem o uso de materiais metalizados que possam contaminar as margens do rio e instalou banners informativos sobre o descarte correto do lixo durante o evento.
Wanessa resumiu a motivação por trás da política como resposta às transformações sociais e ambientais observadas recentemente.
“A questão dos fogos cruza com essa transformação social que estamos vivendo e com uma demanda crescente por inclusão. Ao mesmo tempo, existe a questão ambiental, que está intimamente ligada ao Banho de São João, que é patrimônio cultural de Corumbá”
As restrições aplicadas neste ano reiteram a posição da prefeitura de priorizar acessibilidade e preservação ambiental em celebrações públicas, mantendo a programação tradicional do arraial enquanto busca reduzir os impactos sonoros e materiais associados à queima de fogos.

