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Paiaguás volta a encher no Pantanal após uma década de seca

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A região do Paiaguás, no Pantanal de Mato Grosso do Sul, voltou a encher e está praticamente coberta pela água depois de uma década de seca intensa. O governo estadual decretou situação de emergência ambiental por 180 dias e o Instituto Homem Pantaneiro reforçou a manutenção do Sistema Pantera, que monitora mais de 1 milhão de hectares do bioma.

O diretor do Instituto Homem Pantaneiro, Ângelo Rabelo, explicou onde a elevação do nível ocorreu e qual foi a origem das águas.

“Choveu muito nas cabeceiras do rio taquari, na região mais Oeste, a partir do Arrombado do Caronal, ele espraia essa água. É uma cheia que ocupa quase um terço do Paiaguás, fruto desse incidente do rio taquari, mas fazia 10 anos que não enchia tanto assim”.

O termo técnico arrombado refere se ao ponto em que o leito do rio fica mais alto que as margens e provoca ruptura. Em seguida Rabelo relacionou a cheia à capacidade natural do bioma e ao cuidado necessário para a temporada. “é uma capacidade de resiliência que o Pantanal tem”.

Rabelo também alertou para a prudência diante do alívio parcial. “não nos deve deixar relaxados, no sentido de que está tudo bem. Isso é talvez um pouco de esperança”.

Leituras em estações fluviométricas mostram que a cheia permanece abaixo da média histórica para o período, segundo autoridades e instituições técnicas. A régua de Ladário marcou 2,36 metros no Rio Paraguai conforme dados do Instituto Homem Pantaneiro. “Essa medida mostra que é uma cheia moderada, uma cheia convencional vai a 4 metros. É um nível interessante, um nível que dá um certo conforto para a navegabilidade e que traz um conforto sobre o ponto de vista ambiental”.

Para a Embrapa a retomada das águas ainda é insuficiente para restaurar o comportamento hidrológico tradicional do Pantanal. Na estação de Ladário, no dia 19 de abril, o nível observado foi de 1,95 metros, o que ficou cerca de 1,2 metro abaixo da média histórica para a data estimada em 3,18 metros. O pesquisador Carlos Padovani, da Embrapa Pantanal, destacou padrões de chuva que ajudam a explicar o cenário. “Além do déficit acumulado, observa se forte irregularidade intra sazonal, com destaque para o mês de janeiro de 2026, que apresentou anomalia negativa expressiva (pouca chuva), contrastando com fevereiro, quando houve recuperação pontual das chuvas”.

Padovani avalia que a atual cheia não deve prejudicar a navegação, mas que a ocorrência de uma cheia pequena é desfavorável à produção pesqueira. O bioma segue em atenção por causa de condições climáticas adversas associadas à onda de calor e ao fenômeno El Niño, fatores que aumentam o risco de incêndios.

Entre 2020 e 2024 o Pantanal sofreu queimadas severas e, segundo levantamento do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o fogo atingiu 10,9 milhões de hectares no período. Com apoio da Marinha do Brasil o Instituto Homem Pantaneiro realizou manutenção em uma das torres do Sistema Pantera, substituindo quatro baterias que garantem o funcionamento ininterrupto das câmeras de alta resolução que operam 24 horas por dia na detecção de focos de fumaça e no monitoramento do Pantanal brasileiro e boliviano.

Com informações IHP e Campo Grande News

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