EUA anunciam sanções que atingem empresa de mineração e presidente de Cuba
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos adicionou nesta quinta-feira, 4, empresas do setor turístico e de mineração vinculadas a Cuba à lista de entidades sancionadas, e aplicou medidas diretas contra o presidente Miguel Díaz-Canel e membros de sua família, conforme comunicado oficial.
Entre as entidades listadas está a Amistur Cuba, operadora de turismo da ilha, e a Minera la Victoria, uma joint venture formada pela estatal cubana de mineração Geominera em parceria com a australiana Antilles Gold, segundo o anúncio do governo americano. A lista também inclui outras pessoas e organizações próximas ao governo de Havana.
Alvos e alcance das medidas
Além do chefe de Estado, a ação sancionou Lis Cuesta Peraza, esposa de Díaz-Canel, e Manuel Anido Custa, filho do presidente, bem como figuras associadas à família Castro, entre eles Alejandro Castro Espín e Raul Alejandro Castro Calís, aponta o documento divulgado pelo Tesouro. Também figuram na relação o Ministério das Forças Armadas Revolucionárias, o Instituto Cubano de Amizade com os Povos e os Comitês para Defesa da Revolução.
Em nota do órgão que administra as sanções financeiras o alcance das medidas foi explicitado e trazida com advertência sobre transações envolvendo nomes bloqueados. “Todas as transações e negociações realizadas por pessoas dos EUA ou pessoas dentro (ou em trânsito) pelos Estados Unidos que envolvam quaisquer bens ou interesses em bens de pessoas designadas ou bloqueadas são proibidas”.
O texto oficial insta a bancos e empresas a interromperem operações com os alvos, sob risco de serem também sancionados, e passa a ter efeito sobre quaisquer ativos ou negócios que envolvam os indivíduos e entidades listadas.
Posicionamentos de Washington
Na mesma data de inclusão das entidades na lista, o presidente dos EUA falou à imprensa sobre a ilha em comentários que ligaram a política externa americana a outros pontos de tensão global.
“Vamos cuidar de Cuba depois de terminar com o Irã, talvez seja possível investir lá”
Em comunicado nas redes sociais o secretário de Estado Marco Rubio advertiu sobre a extensão dos efeitos e fez apelo a instituições financeiras e empresas estrangeiras para que cessem pagamentos e serviços às entidades sancionadas.
“Bancos estrangeiros e outras empresas que forneçam serviços a essas entidades devem congelar essas atividades. A Administração Trump não tolerará mais regimes marxistas radicais em nosso hemisfério”
O pronunciamento norte-americano também observa a possibilidade de penalidades a terceiros que mantenham relações comerciais com os alvos, ampliando o escopo prático das medidas para fora do território dos EUA.
Do lado cubano a resposta foi imediata e de condenação. O presidente Miguel Díaz-Canel avaliou as declarações e as medidas como uma ameaça direta ao país e ressaltou a disposição do governo e da população em resistir às ações externas.
“A agressividade e a perversão do governo ianque colidirão com nossa determinação de enfrentar os piores cenários e resistir ao ataque imperial”
O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, identificou no conjunto das sanções um plano de intervenção e criticou a legitimidade da lista imposta pelos EUA, citando ainda medidas executivas recentes que, segundo ele, contradizem declarações públicas de Washington sobre fornecimento de combustíveis.
“Toda a ação dos EUA com o objetivo de criar um cenário de conflito entre os dois países está fadada ao fracasso. Toda ameaça à independência e soberania de Cuba será enfrentada com ainda mais união e determinação por parte do nosso povo”
“Ele parece esquecer intencionalmente a Ordem Executiva 14380, de 29 de janeiro de 2026, elaborada por ele mesmo e assinada pelo seu Presidente, que autorizou a imposição de tarifas punitivas contra importações de países que fornecem petróleo a Cuba direta ou indiretamente”
Especialistas e observadores internacionais apontam que as novas sanções ampliam um quadro de restrições econômicas que, conforme histórico citado em comunicados e reportagens, tornou-se mais severo nos últimos meses.
O bloqueio econômico contra Cuba, em vigor há quase sete décadas, foi intensificado pela atual administração norte-americana ao final de 2025 com medidas ligadas a restrições navais sobre a Venezuela. Em janeiro de 2026 ações de Washington sobre fornecedores de petróleo pressionaram países a interromperem vendas, deixando a ilha por três meses sem receber combustível.
As consequências para a população foram relatadas em agências de notícias e em declarações oficiais cubanas e incluem aumento de apagões, elevação de preços de itens básicos, diminuição do transporte público e redução da oferta da cesta básica subsidiada pelo Estado. Para moradores de Havana consultados pela Agência Brasil esse é o pior momento do país.
As sanções anunciadas agora somam-se a outras centenas de medidas adotadas nos últimos anos, e a Casa Branca avalia essas ações como parte de uma estratégia para pressionar mudanças no governo de Havana, enquanto autoridades cubanas garantem que responderão com unidade e medidas de resistência, segundo as declarações oficiais divulgadas.

