Vieira afirma que argumentos para tarifas sobre produtos brasileiros são ilegítimos
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou ter mostrado a representantes dos Estados Unidos evidências que, segundo ele, demonstram que os argumentos usados para justificar a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros não têm fundamento. O contato ocorreu durante reunião com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, no âmbito de um encontro ministerial da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico em Paris.
Ao relatar o teor das conversas e a documentação apresentada, registrou importante preocupação com o calendário de divulgação das conclusões das apurações americanas. “Demos todas as informações necessárias. O que nós esperamos é que isso tudo seja levado em conta e que fique comprovado que não há por que sermos objeto de tarifas, porque todos os argumentos apresentados nós provamos que não são legítimos”
Em paralelo ao encontro com o representante comercial, Vieira lembrou que os resultados de duas investigações conduzidas pelo governo dos Estados Unidos foram tornados públicos antes do prazo acordado durante reunião bilateral entre os presidentes dos dois países em maio, e cobrou que esse ponto seja considerado pelas autoridades americanas.
Sobre o tom das negociações, o ministro também registrou a posição de Greer acerca do diálogo com o Brasil. “ótimas conversas com o Brasil” foi como o representante comercial resumiu as tratativas, conforme relato do chanceler.
Recomendações do relatório dos EUA e áreas investigadas
O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos publicou um relatório que recomenda a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, com base em um conjunto de atos, políticas e práticas consideradas irrazoáveis ou discriminatórias. O documento avaliou setores e medidas como comércio digital e serviços de pagamentos eletrônicos, incluindo o Pix, concessão de tarifas preferenciais, proteção de propriedade intelectual, combate à corrupção, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.
Vieira disse ter fornecido todas as informações solicitadas e aguardará que as autoridades americanas considerem os elementos apresentados antes de adotar medidas punitivas contra o Brasil.
Outras reuniões em Paris
Além do representante comercial dos EUA, o chanceler manteve encontro com o comissário para Comércio e Segurança Econômica da União Europeia, Maros Sefcovic, em que a implementação do acordo Mercosul-União Europeia, em vigor desde maio, esteve na pauta. Vieira também se reuniu com o ministro do Comércio da Coreia do Sul, Yeo Han Koo, com o chanceler da Espanha, José Manuel Albares, com o ministro do Comércio Exterior do Canadá, Maninder Sidhu, com o presidente da Suíça, Guy Parmelin, e com o chanceler da República Tcheca, Petr Macinka.
O Itamaraty mantém acompanhamentos diplomáticos e técnicos enquanto as negociações seguem em aberto entre Brasil e Estados Unidos sobre a necessidade e a proporcionalidade de eventuais tarifas.

