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Sistema Pantera passa por manutenção para reforçar monitoramento de incêndios no Pantanal

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A manutenção de uma das torres do Sistema Pantera foi concluída nesta quarta-feira (3) na região da Serra do Amolar, no Pantanal sul-mato-grossense. A operação, coordenada pelo Instituto Homem Pantaneiro (IHP) com apoio da Marinha do Brasil, garantiu a substituição de quatro baterias responsáveis pelo abastecimento energético da estrutura que monitora incêndios florestais durante 24 horas por dia.

Os equipamentos alimentam câmeras de alta resolução instaladas na torre, que integra uma rede de monitoramento capaz de identificar sinais de fumaça em áreas remotas do Pantanal poucos minutos após o início de um foco de calor.

A ação ocorreu antes do período considerado mais crítico para incêndios na região. Órgãos federais já alertam para a possibilidade de ondas de calor e estiagens severas no segundo semestre, cenário que pode elevar significativamente os riscos de queimadas no bioma.

A operação exigiu uma logística complexa devido ao isolamento da área. Segundo o IHP, sem o emprego do helicóptero disponibilizado pela Marinha, o transporte dos materiais demandaria ao menos três dias de deslocamento por vias terrestre e fluvial. Além da distância, as equipes precisariam carregar manualmente mais de 120 quilos de equipamentos por uma área de morraria situada a cerca de 600 metros de altitude.

O presidente do IHP, Ângelo Rabelo, destacou a importância da parceria para manter o sistema em operação.

“ A Marinha do Brasil é uma parceria no trabalho feito de proteção ao Pantanal. Desde o funcionamento do Sistema Pantera, em 2022, contamos com esse apoio para garantir a efetividade do monitoramento e que esteja operando de forma contínua. Com uma detecção de fumaça feita entre 3 a 5 minutos ganhamos muito tempo para conseguir planejar uma ação e tentar evitar que um fogo tranforme-se em incêndio florestal. Os sistemas satelitais costumam fazer uma detecção após horas do início do fogo. Temos diferentes alertas sobre condições severas para o segundo semestre e agir preventivamente e com estratégia é extremamente necessário.”

Criado pela startup Um Grau de Meio, o Sistema Pantera é uma das principais ferramentas tecnológicas utilizadas atualmente na prevenção e combate aos incêndios florestais no Pantanal. O conjunto de câmeras cobre uma área superior a um milhão de hectares e utiliza inteligência computacional para identificar linhas de fumaça e emitir alertas automáticos.

As informações geradas são encaminhadas em tempo real para a central do IHP, permitindo o acionamento rápido da Brigada Alto Pantanal antes que pequenos focos evoluam para grandes incêndios.

Preparação para o período de seca

Além da troca das baterias, brigadistas realizaram trabalhos preventivos no entorno da torre. Foram executados aceiros para reduzir o risco de propagação do fogo e feita a limpeza de uma área destinada ao pouso da aeronave da Marinha.

As ações integram uma série de medidas desenvolvidas desde o início do ano na Serra do Amolar. De acordo com o instituto, mais de 33 quilômetros de aceiros já foram implantados em 2026 em regiões consideradas estratégicas para proteção ambiental e conservação da fauna.

O monitoramento realizado pelo Sistema Pantera alcança diferentes áreas do Pantanal brasileiro e também regiões da Bolívia, incluindo a Área de Manejo Integral San Matías. Os alertas emitidos são compartilhados com o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, Ministério Público Estadual de Mato Grosso do Sul, Prevfogo/Ibama, Armada Boliviana, moradores de comunidades isoladas e proprietários rurais.

O trabalho de conservação desenvolvido pelo IHP na região já registrou mais de 200 espécies da fauna silvestre. Paralelamente, está em andamento um inventário florestal voltado à proteção de espécies vegetais ameaçadas.

A preocupação com o próximo período de seca ganhou força após a divulgação de uma nota técnica do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). O documento aponta mais de 80% de probabilidade de formação do fenômeno El Niño entre agosto e outubro de 2026, com possibilidade de intensidade moderada a forte.

Segundo o órgão, o fenômeno pode provocar ondas de calor mais frequentes, baixa umidade do ar e aumento do risco de incêndios em áreas da região central do Brasil, incluindo o Pantanal.

“A análise reúne dados de instituições como o Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) e o Bureau de Meteorologia da Austrália (BOM). As projeções apontam para anomalias positivas na temperatura da superfície do Oceano Pacífico Equatorial, com possibilidade de o fenômeno atingir intensidade comparável aos maiores eventos já registrados”, informou o Cemaden.

As projeções indicam condições que podem superar os cenários observados em 2023 e 2024, quando a combinação de seca prolongada e temperaturas elevadas contribuiu para o avanço de incêndios de grandes proporções no Pantanal e na Amazônia.

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