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Por que a Copa de 2026 terá recorde de jogadores ‘gringos’ que atuam no Brasil

Jogadores estrangeiros treinando em estádio brasileiro com bandeiras de países convocados ao fundo
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Recorde de 25 jogadores estrangeiros do Brasileirão convocados para a Copa de 2026 reflete mais vagas, mudança nas regras da CBF e poder financeiro dos clubes

Vinte e cinco jogadores nascidos fora do Brasil e que atuam no Brasileirão foram convocados para disputar a Copa do Mundo de 2026, número que estabelece um recorde desde a era dos pontos corridos. O total supera o pico anterior de sete convocações verificado em 2014.

A reportagem do Valor mostra que Uruguai e Paraguai são as seleções estrangeiras com maior presença vinda do campeonato brasileiro com sete jogadores cada uma, seguidos pelo Equador com cinco e pela Colômbia com quatro. Entre os convocados figura Memphis Depay do Corinthians que representa a Holanda e assim o Brasileirão serve seis seleções estrangeiras nesta edição.

A ampliação do torneio para 48 seleções favoreceu a presença maior de jogadores do Brasileirão nas seleções latino americanas sempre inclinadas a convocar atletas que atuam no país. A Confederação Sul Americana de Futebol passou a ter seis vagas diretas e uma vaga na repescagem intercontinental e sem a nova distribuição seleções como o Paraguai teriam ficado de fora.

A influência do Brasileirão aumenta quando se consideram jogadores sul americanos formados no Brasil e depois exportados para a Europa. No elenco colombiano há exemplos como Richard Rios que foi do Palmeiras para o Benfica e Yerry Mina que jogou pelo Palmeiras antes de atuar na primeira divisão italiana.

Amir Samoggi, diretor da Sports Value, afirma a força do mercado brasileiro no continente. “O Brasil é hoje o principal mercado da América do Sul. É muito mais rentável do que os seus vizinhos”

Amir Samoggi, diretor da Sports Value, destaca o papel da visibilidade oferecida pela liga brasileira. “Os craques dos outros países vem para cá porque vale a pena financeiramente e pela visibilidade, que é muito maior do que em campeonatos como o colombiano ou argentino”

Segundo dados da Sports Value o Campeonato Brasileiro registrou faturamento de US 2 bilhões em 2025 ficando atrás da MLS nos números brutos mas com menos clubes. O Flamengo por sua vez faturou R 2,1 bilhões no mesmo período o que aproximou o clube do resultado de ligas inteiras de alguns países vizinhos segundo o levantamento.

Os gastos salariais da liga brasileira chegaram a US 1,1 bilhão em 2025 o que colocou o Brasil na sexta posição entre as maiores ligas do mundo nesse item. “A diferença salarial de um Boca Juniors ou de um River Plate para um Flamengo ou Palmeiras é brutal. Para clubes colombianos, chilenos ou equatorianos nem se fala”

O caso do colombiano Jhon Arias ilustra a força de mercado e a visibilidade que o Brasileirão proporciona aos atletas. O jogador foi vendido ao Wolves da Inglaterra por cerca de R 142 milhões e menos de um ano depois foi repatriado ao Brasil pelo Palmeiras por cerca de R 155 milhões.

Samoggi comenta a preferência atual de alguns atletas por permanecer no Brasil em vez de tentar o mercado europeu. “Hoje em dia, os jogadores preferem estar no Brasil do que em times de menor importância das principais ligas do mundo. A visibilidade aqui aproxima os jogadores de suas seleções”

Giorgian de Arrascaeta do Flamengo dá exemplo de jogador que recusou ofertas europeias e preferiu seguir no Brasil segundo entrevista ao Transfermarkt. “Eu não quis nem ouvir essas propostas”

Outra mudança que ajuda a explicar o aumento de convocados foi a alteração do limite de estrangeiros nas listas por partida adotada pela CBF. Em 2024 os clubes da Série A passaram a poder relacionar até nove jogadores estrangeiros por jogo e a regra permanece em 2026.

A CBF afirma que não existe um limite específico de estrangeiros em campo ao mesmo tempo e que a restrição vale apenas para a lista de relacionados de cada partida. Também não há teto de estrangeiros no elenco geral ou no total de inscritos no campeonato segundo o regulamento.

A expansão do número de estrangeiros permitidos por partida permitiu que clubes com maior poder financeiro montassem elencos mais recheados de atletas de fora do país. Clubes como Botafogo com 14 estrangeiros o Fluminense com 12 o Flamengo com 9 e o Palmeiras com 8 ampliaram as opções para enfrentar um calendário dividido entre competições nacionais e internacionais

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