Colômbia decide neste domingo futuro alinhamento político entre Petro e EUA

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A eleição que escolherá o presidente para o período 2026 a 2030 ocorre neste domingo e reúne 14 candidatos. As sondagens colocam Ivan Cepeda, Paloma Valencia e Abelardo de La Espriella como os nomes com maiores chances de avançar para o segundo turno marcado para 21 de junho, decisão que pode aproximar mais o país dos Estados Unidos ou manter o alinhamento com o Pacto Histórico do atual governo de Gustavo Petro, que não pode concorrer por vedação à reeleição.

Matheus Petrelli, pesquisador no Observatório Político Sul-Americano (OPSA) da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, traz a dimensão regional e geoestratégica do pleito e vincula escolhas internas a movimentações externas.

“O Petro tentou muito se vincular politicamente ao Lula no contexto regional, em pautas ambientais e sociais. A eleição do seu sucessor representa a manutenção dessa proximidade. Já a eleição de Paloma ou Abelardo representaria retomada do processo de vínculo mais estreito com os EUA”

O país tem cerca de 53 milhões de habitantes e é o segundo mais populoso da América do Sul, atrás apenas do Brasil, fato que aumenta a relevância do resultado para a cena regional e hemisférica.

Na frente das pesquisas está Ivan Cepeda, identificado com a esquerda e apresentado como aliado do atual presidente. Ele é definido na campanha como filósofo de esquerda e defensor dos direitos humanos, com trajetória parlamentar própria e herança familiar marcada por violência política: seu pai, o senador Manuel Cepeda Vargas, foi assassinado “por agentes estatais em cumplicidade com paramilitares”, conforme biografia do candidato.

Matheus Petrelli destaca a distinção entre perfis à esquerda e a história de Cepeda no confronto com atores da direita.

“Petro vem da guerrilha M-19, Cepeda tem histórico de legislador. São perfis diferentes dentro da esquerda colombiana. O Cepeda tem uma história e trajetória próprias, que não é pequena, uma vez que enfrentou Álvaro Uribe, talvez a principal figura da direita colombiana”

Um dos episódios centrais para a memória política do país é o caso dos chamados “falsos positivos”, quando se estima que cerca de 7,8 mil pessoas foram assassinadas entre 2002 e 2008 e apresentadas como guerrilheiros mortos em combate, segundo a Jurisdição Especial para Paz, órgão criado para investigar crimes do conflito colombiano. O atual processo judicial sobre o tema envolveu diretamente figuras como Álvaro Uribe e mobilizou atores como Cepeda no recolhimento de informações.

Em agosto de 2025 Uribe tornou-se o primeiro ex-presidente condenado em primeira instância, acusado de fraude processual e suborno de testemunhas no caso dos falsos positivos. Em outubro de 2025 ele foi absolvido da acusação em segunda instância, conforme o desdobrar dos processos judiciais.

Na área oposta do espectro está a senadora Paloma Valencia, do Centro Democrático, identificada com o uribismo. Ela se declara seguidora de Álvaro Uribe e chegou a sugerir nomeá-lo para o Ministério da Defesa, além de ter sido contrária aos acordos de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia em 2016 e de defender uma política de enfrentamento às guerrilhas sem diálogo.

“De fato, ela representa essa direita tradicional. Apesar de o Abelardo ser esse fenômeno outsider e aparecer, em algumas pesquisas, como favorito para ir ao segundo turno com o Cepeda, o uribismo teve certa recuperação política”

Outra candidatura em ascensão é a do advogado multimilionário Abelardo de La Espriella, que se apresenta como outsider. Em campanha, ele enaltece figuras da extrema-direita regional e internacional e baseia sua plataforma no endurecimento da repressão contra a criminalidade. De La Espriella deixou parte da vida de luxo que mantinha na Itália para disputar a presidência e já representou clientes controversos, incluindo o empresário diplomata venezuelano Alex Saab e o dirigente colombiano Jorge Visbal, condenado por vínculos com paramilitares.

“Ele representa justamente esse candidato que é a cara da extrema-direita sul-americana, que é esse perfil de alguém que é de fora da política. Só que, ao mesmo tempo, ele é um advogado que já representou figuras políticas controversas.”

O tema da segurança segue no centro do debate. A proposta de Gustavo Petro de “paz total” tentou combinar repressão e negociação com grupos armados, mas a violência persiste. Em fevereiro de 2025 cerca de 52 mil pessoas foram expulsas de suas casas em Catatumbo após combates entre o Exército de Libertação Nacional e forças do Estado. Na quinta-feira (28), à véspera da votação, um confronto entre dissidências das Farc deixou 52 mortos, segundo informou a Reuters.

“O candidato da extrema-direita e direita colocam o enfrentamento militar ou bélico como solução única para o problema. Por outro lado, o governo Petro e seu candidato Cepeda sugerem uma abordagem mais multidisciplinar, variando entre repressão e negociação”

Com o pleito, os colombianos escolherão não só um governo, mas também um caminho de política interna e externa após a gestão do primeiro presidente de esquerda do país, cuja sucessão eleitoral pode consolidar ou aprofundar mudanças de rumo iniciadas em 2022.

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