Factoide do clã Bolsonaro é tática para desviar foco do caso Master, diz Alckmin
Ao comentar a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos, o vice-presidente avaliou haver uma intenção política ao ligar o episódio ao escândalo financeiro que envolve o banco.
“Infelizmente, membros do clã Bolsonaro pensam mais em si do que no país. Para sair desse tema do Banco Master, o maior caso de corrupção e sonegação de tributos, ficam gerando factoides”.
A declaração foi dada à imprensa durante agenda em Caraguatatuba, no litoral de São Paulo, nesta quinta-feira (29).
Em seguida, o vice-presidente ponderou sobre efeitos práticos e econômicos da medida adotada pelos Estados Unidos.
“não vai resolver nada em termos de combate ao crime e pode prejudicar a economia”.
Na noite desta quinta-feira (28), os Estados Unidos anunciaram a designação das facções brasileiras Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas. O anúncio ocorreu após uma agenda de encontros que teve participação de integrantes do núcleo político da família Bolsonaro, e alimentou debate sobre motivações e timing da decisão americana.
O posicionamento dos EUA coincidiu com a realização de encontro entre o secretário de Estado Marco Rubio e o senador Flávio Bolsonaro em Washington na terça-feira (26). Um dia antes, Flávio Bolsonaro havia se reunido com o ex-presidente Donald Trump na Casa Branca em companhia do irmão Eduardo Bolsonaro, hoje autoexilado.
Reportagens do portal The Intercept Brasil divulgaram mensagens de áudio de Flávio Bolsonaro enviadas a Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, nas quais o senador solicitava recursos para parcela dos custos da cinebiografia de seu pai. Conforme as informações publicadas, Vorcaro teria acordado destinar R$134 milhões à produção, e ao menos R$ 61 milhões teriam sido efetivamente liberados.
Contexto internacional e riscos para a região
No governo de Donald Trump, a política externa para a América Latina tem sido reorientada sob a justificativa de combate ao chamado narcoterrorismo, argumento que tem ampliado a presença militar e as ações diretas fora da jurisdição norte-americana.
Ao longo dos últimos meses, forças militares dos EUA bombardearam diversas embarcações no Caribe sob a alegação de combate ao terrorismo. A própria invasão de território venezuelano no início do ano, que resultou na deposição e captura do então presidente Nicolás Maduro e de sua esposa Cilia Flores, foi justificada com base no combate ao narcoterrorismo.
O alcance de ações semelhantes em território brasileiro, a partir da nova designação, permanece incerto, mas passa a ser avaliado como um risco real por analistas e autoridades devido ao potencial impacto político e econômico.

