Médica afirma que Henry Borel chegou ao hospital tecnicamente morto
Ouvida no 2º Tribunal do Júri, no centro do Rio, a pediatra Maria Cristina de Souza relatou as condições em que Henry deu entrada na unidade na madrugada do dia 8 de março de 2021. “Henry já chegou à unidade sem pulso e estava tecnicamente morto”
Conforme relato da médica, a equipe iniciou o atendimento em menos de um minuto após a chegada da criança e manteve manobras de reanimação por quase duas horas, enquanto avaliava encerrar o protocolo.
Sobre a intervenção no hospital, a pediatra registrou detalhes das medidas adotadas. “chegou ao hospital sem pulso, inchado. Foi administrada uma dose de adrenalina e continuamos com a massagem cardíaca. Henry já estava tecnicamente morto”
Ao contar um episódio durante o atendimento, Maria Cristina trouxe à sessão a presença de um familiar que chegou ao hospital e pediu que os procedimentos não fossem interrompidos. “Quando a equipe já avaliava encerrar o protocolo, encontramos Leniel. Ele pediu para que não desistíssemos de seu filho e continuamos”
A médica observou ainda sinais físicos no corpo do menino que foram registrados durante o socorro. “notou durante o atendimento hematomas e marcas arroxeadas em várias regiões do corpo da criança, como tórax, abdômen, coxas e punhos”
No plano processual, a defesa de Jairo Santos Souza Júnior obteve liminar em habeas corpus que determina que o interrogatório do acusado só ocorra após o depoimento de Monique Medeiros. O pedido havia sido apresentado no início do julgamento à juíza Elizabeth Louro, que preside a sessão, mas o recurso foi indeferido inicialmente.
Em sustentação sobre a necessidade de postergar o interrogatório, o advogado Rodrigo Faucz expôs a razão da medida. “Não é possível que aquele que está sendo acusado tenha de se manifestar antes da acusação. Isso é básico em qualquer Estado de Direito. Para se defender adequadamente, é necessário conhecer o conteúdo exato da acusação”
O julgamento prossegue no 2º Tribunal do Júri, com novas depoimentos e a sequência dos atos processuais relativos às acusações contra o vereador conhecido como Dr. Jairinho e a mãe da criança, Monique Medeiros.

