Obesidade é principal fator de risco à saúde no Brasil, aponta estudo
A obesidade passou a ser o maior fator de risco para mortes e perda de qualidade de vida no Brasil, superando a hipertensão arterial, que ocupava essa posição há décadas.
O diagnóstico nacional integra a edição de maio da revista científica The Lancet Regional Health – Americas e resulta da análise do Estudo Global sobre Carga de Doenças, levantamento conduzido por milhares de pesquisadores e que abrange mais de 200 países.
Tendências e números históricos
Em comparação com 1990, quando os três maiores riscos eram a hipertensão, o tabagismo e a poluição por materiais particulados no ar, o índice de massa corporal elevado saltou da sétima para a primeira posição no ranking nacional de 2023, acumulando um aumento de 15,3% no risco atribuído desde 1990.
Naquele ano, a glicemia elevada figurava em sexto lugar; no levantamento mais recente, a condição ocupa a terceira posição, atrás da pressão alta.
Alguns riscos apresentaram diminuições significativas ao longo das últimas décadas, com queda de 69,5% no risco associado à poluição particulada do ar e retração aproximada de 60% nos indicadores vinculados ao tabagismo, à prematuridade e baixo peso ao nascer e ao alto colesterol LDL.
Por outro lado, entre 2021 e 2023 houve leve aumento de 0,2% no risco por tabagismo após anos de queda sustentada. O risco atribuído à violência sexual durante a infância teve reforço expressivo, crescendo quase 24% e saltando da 25ª posição em 1990 para a 10ª em 2023.
Impactos, causas e alerta de especialistas
O estudo ressalta que transformações no estilo de vida contribuíram para o avanço da obesidade, com maior urbanização, redução dos níveis de atividade física e adoção de dietas hipercalóricas, ricas em sal e em alimentos ultraprocessados. Segundo o levantamento, essas mudanças ambientais e comportamentais explicam parte do aumento do risco atribuído ao IMC elevado.
Para o endocrinologista Alexandre Hohl, membro da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica Abeso e da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, esses comportamentos contribuem para que os brasileiros vivam em um “ambiente obesogênico”. “A obesidade não é apenas excesso de peso, mas uma doença crônica inflamatória e metabólica que aumenta simultaneamente o risco de diabetes tipo 2, hipertensão, infarto, AVC e vários tipos de câncer.”
A lista atual dos maiores fatores de risco à mortalidade ou à perda da qualidade de vida no Brasil inclui, em ordem, o índice de massa corporal elevado, a hipertensão, a glicemia elevada, o tabagismo, a prematuridade ou baixo peso ao nascer, o abuso de álcool, a poluição particulada do ar, o mau funcionamento dos rins, o colesterol alto e a violência sexual na infância.
O diagnóstico nacional traz dados que quantificam mudanças em três décadas e fornece subsídios para a formulação de políticas públicas e intervenções voltadas à prevenção e ao controle desses fatores.

