Flávio Bolsonaro confirma cobrança a Vorcaro, mas nega irregularidade

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A revelação do portal The Intercept Brasil nesta quarta-feira colocou no centro da agenda pública a interlocução do senador com o ex-controlador do Banco Master, e o pré-candidato confirmou o pedido de apoio financeiro para a produção audiovisual.

Em nota o parlamentar ressaltou a natureza privada da iniciativa e contextualizou o início da relação com Vorcaro “É preciso separar os inocentes, dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet. Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro. O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme”. A nota foi divulgada horas após a publicação da apuração.

Na mesma manifestação o senador rejeitou qualquer troca de favores e cobrou investigação em outros casos políticos “Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem. Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro. Por isso, reitero, CPI do MASTER JÁ”. Em vídeos que circulam nas redes sociais ele repete os argumentos apresentados por escrito.

O material jornalístico trouxe ainda um áudio atribuído ao próprio senador em que ele destaca a urgência do repasse e o impacto dos atrasos sobre a produção. Antes de reproduzir a preocupação, a reportagem descreve o contexto técnico da cobrança e as comprovações anexas “Apesar de você ter dado a liberdade de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando. É porque está em um momento muito decisivo aqui do filme e, como tem muita parcela para trás, cara, está todo mundo tenso e fico preocupado com o efeito contrário com o que a gente sonhou para o filme”. Mensagens de WhatsApp, documentos e comprovantes bancários constam entre as peças citadas pela publicação.

Como se deram os repasses

Segundo a apuração, parte do montante foi transferida entre fevereiro e maio de 2025. O apoio de R$ 134 milhões teria sido articulado por meio de remessas internacionais de uma empresa vinculada a Vorcaro para um fundo nos Estados Unidos administrado por Paulo Calixto, advogado ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro. A produção, conforme a matéria, está sendo executada por uma empresa estrangeira com elenco e equipe internacionais e tem previsão de lançamento ainda este ano.

Prisão do banqueiro e desdobramentos

As últimas conversas entre o senador e o banqueiro datam do início de novembro, pouco tempo antes da intervenção do Banco Central que levou à liquidação do Banco Master. Um pouco mais de uma semana após essas mensagens, a Polícia Federal efetuou a prisão de Daniel Vorcaro em investigação sobre fraudes financeiras. Atualmente ele está na Superintendência da PF em Brasília e negocia eventual acordo de colaboração premiada.

O caso, que começou a ser divulgado na quarta-feira pelo portal The Intercept Brasil, mantém perguntas sobre ligações financeiras e cronologia dos pagamentos, enquanto o senador sustenta que não houve uso de recurso público nem irregularidade em suas tratativas.

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