PUBLICIDADE
Clube que contratar e não pagar sofrerá consequências, diz chefe da agência do fair play financeiro

Caio Cordeiro de Resende, presidente da Anresf, fala sobre novas regras do fair play financeiro no futebol brasileiro.

Novo fair play financeiro promete mudar cultura de ‘socorro recorrente’ no futebol brasileiro

A Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf) implementou um novo sistema de fair play financeiro com o objetivo de coibir a cultura de “socorro recorrente” aos clubes. Segundo Caio Cordeiro de Resende, presidente da agência, o modelo visa garantir a sustentabilidade e evitar que equipes cheguem à beira da falência devido a práticas de gestão irresponsáveis. Clubes que descumprirem as novas regras, especialmente em relação a contratações, poderão sofrer sanções que incluem consequências esportivas, como o transfer ban.

O regulamento, desenvolvido em colaboração com 34 dos 40 clubes da Série A, foi concebido para criar um órgão fiscalizador autônomo. A Anresf será responsável por monitorar, avaliar e aplicar sanções, além de promover a educação dos clubes sobre as normas. A iniciativa busca proteger os clubes como ativos importantes da sociedade brasileira, tanto no modelo associativo quanto na Lei da SAF, prevenindo a má gestão e práticas arriscadas que comprometam a sobrevivência a longo prazo.

Um dos focos do novo sistema é a mudança na cultura de “socorro recorrente” que marca as finanças do futebol no Brasil. “Você salva o clube, mas quando você o salva gera um incentivo errado”, explicou Resende, referindo-se a programas como Time Mania e Profut. O fair play financeiro busca alterar essa estrutura de incentivos, impondo sanções a curto prazo para comportamentos que antes eram tolerados, mas que levavam a um ciclo vicioso de endividamento e crises financeiras.

As regras já em vigor incluem a obrigatoriedade de registrar todas as transações de compra e venda de atletas desde 1º de janeiro, com detalhamento da forma de pagamento. O não cumprimento de obrigações financeiras, como parcelas de contratações vencidas, pode levar a processos sancionadores. Além disso, a publicação das demonstrações financeiras até 30 de abril é agora fiscalizada pela agência, com aplicação imediata em caso de descumprimento.

Para regras mais estruturais, como a de não gastar mais do que se arrecada ou o limite de 70% do orçamento com o elenco profissional, há um período de transição de três anos. A Anresf monitora as dívidas dos clubes de três formas: autodeclaração trimestral, registro de transações e denúncias de clubes credores. As sanções previstas variam desde multas e retenção de receita até medidas mais severas como dedução de pontos, rebaixamento e cassação de licença, com o transfer ban sendo uma consequência rápida para o não pagamento de dívidas.

O sistema brasileiro de fair play financeiro foi moldado com base em quatro pilares comuns aos principais modelos internacionais Uefa, La Liga, Premier League, liga francesa e Bundesliga: dívidas em atraso, regra de equilíbrio financeiro, controle do custo de elenco e limite de endividamento. O descumprimento desses pilares, avaliado com base nas demonstrações financeiras anuais, pode resultar em processos sancionadores.

A expectativa é que, a exemplo do que ocorreu na Europa, o novo regulamento promova uma profissionalização da gestão dos clubes. “A gente passou a exigir que todos clubes tenham um sistema de gestão das informações financeiras, uma auditoria feita por um auditor externo independente”, afirmou Resende. Embora sanções mais duras como perda de pontos e rebaixamento não sejam esperadas nos primeiros anos, a experiência internacional sugere um processo gradual de adaptação, com punições mais severas aplicadas em casos de descumprimento grave e reincidente.

Apesar de um atraso na implementação do sistema, que incluiu adiamentos no prazo para envio de informações financeiras devido à complexidade para os clubes, a Anresf acredita na capacidade de transformação do fair play. A agência enfatiza que a mudança cultural na forma de contratar e gerir finanças pode ocorrer a curto prazo, contribuindo para um futebol brasileiro mais saudável e sustentável a médio e longo prazo.

PUBLICIDADE


andorinha

Veja também