Campanha 24 Horas pelo Glaucoma é lançada para ampliar diagnóstico precoce
O Conselho Brasileiro de Oftalmologia e a Sociedade Brasileira de Glaucoma lançaram a campanha 24 Horas pelo Glaucoma – 24 Dias de Cuidado com o objetivo de mobilizar ações por todo o mês de maio voltadas ao diagnóstico precoce da doença.
A iniciativa, apresentada na segunda-feira, 4 de maio, prevê a produção e a distribuição de materiais educativos em múltiplas plataformas e destaca uma série de podcasts dirigida a médicos, gestores e ao público em geral, abordando fatores de risco, adesão ao tratamento, uso correto de colírios e combate à desinformação.
Números e desigualdades no atendimento
Dados compilados sobre exames realizados via Sistema Único de Saúde mostram que, entre janeiro de 2019 e dezembro de 2025, mais de 12 milhões de procedimentos específicos para diagnóstico de glaucoma foram executados pelo SUS.
O total anual de exames cresceu de 1.377.397 em 2019 para 2.269.919 em 2025, o que representa um aumento de 65 por cento, mas a evolução não ocorreu de modo uniforme entre as unidades da federação.
O Conselho Brasileiro de Oftalmologia avaliou o aumento no volume de procedimentos, mas ressaltou diferenças regionais que comprometem o acesso a serviços de diagnóstico e acompanhamento.
“Embora o volume de procedimentos tenha aumentado ao longo dos anos, a distribuição desse crescimento entre as regiões do país revela disparidades no acesso a esses serviços”, avaliou o CBO.
O Sudeste registrou a maior elevação, de 115 por cento, enquanto o Nordeste apresentou o menor crescimento, de 36 por cento, segundo levantamento divulgado pelo conselho.
Risco, impacto e acesso ao tratamento
O glaucoma é classificado como uma doença silenciosa, frequentemente detectada somente após já haver comprometimento visual, e lidera causas de cegueira irreversível no mundo. No Brasil, a estimativa é de aproximadamente 1,7 milhão de pessoas convivendo com a condição.
Entre os principais fatores de risco estão histórico familiar, idade superior a 40 anos e alta miopia. Além disso, pessoas negras e asiáticas têm maior predisposição à doença, conforme divulgado pelo conselho.
O CBO reforça que, por meio do SUS, é possível obter diagnóstico, acompanhamento e tratamento adequado, incluindo colírios e procedimentos quando indicados, e que a detecção precoce permanece como um dos maiores desafios para evitar perda irreversível da visão.
Na estratégia da campanha, a combinação entre produção de conteúdo informativo e ações voltadas a profissionais de saúde busca ampliar a identificação precoce de casos e melhorar a adesão às terapias recomendadas.

