Após captura em Corumbá, onça-pintada de 72 kg é solta e monitorada por satélite em MS

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A onça-pintada capturada em Corumbá no sábado, 2 de maio, foi batizada de Corumbella e passou a ser monitorada por GPS, conforme anunciado em coletiva técnica realizada nesta segunda-feira, 4. O animal tem cerca de 4 anos, pesa 72 quilos e foi solto na região da Serra do Amolar após 3 horas e 47 minutos entre sedação e reintrodução ao seu habitat.

O nome faz referência ao fóssil Corumbella werneri, encontrado na região, considerado um dos mais antigos registros de vida multicelular do planeta. Segundo o grupo técnico, “seu nome significa ‘A Bela de Corumbá’”.

O colar instalado no felino custou em média R$ 70 mil e deve permanecer ativo por pelo menos um ano. O equipamento combina GPS e sinal VHF, permitindo localizar o animal por satélite ou rádio, inclusive em deslocamentos na fronteira com a Bolívia.

A operação mobilizou ao menos 10 instituições diretamente, com participação de veterinários, biólogos e agentes públicos. O grupo técnico soma 26 integrantes e contou ainda com apoio do Exército Brasileiro no transporte. O planejamento durou cerca de quatro meses, com ajustes finais nas duas semanas anteriores à captura.

Foram usadas duas armadilhas, uma para captura e outra para transporte. O monitoramento anterior incluiu armadilhas fotográficas, repelentes luminosos e informações repassadas por moradores.

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Protocolo adotado pode virar referência nacional

Segundo o grupo, a ação avançou ao incluir monitoramento pós-soltura, prática ainda incomum em operações do tipo no país. “A integração entre tecnologia, pesquisa e envolvimento social está permitindo gerar informações detalhadas sobre a espécie e fortalecer a conservação local, configurando um caso considerado inédito no Brasil”.

A equipe aponta que o acompanhamento por colar permitirá mapear rotas, áreas de uso e comportamento do animal ao longo do tempo. Os dados devem orientar medidas para reduzir conflitos com moradores e aprimorar protocolos de manejo.

O monitoramento será conduzido pelo Instituto Homem Pantaneiro na região da Serra do Amolar, área escolhida por ter baixa presença humana, oferta de presas e conexão com outros habitats do Pantanal.

O grupo afirma que novos registros de onças em áreas urbanas devem continuar ocorrendo. “Esses registros não são eventos isolados, mas parte da dinâmica natural da espécie na região, demandando um Plano de Coexistência”.

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Ainda conforme os técnicos, há aumento recente de aparições em cidades, ligado a fatores como incêndios, secas, fragmentação do habitat e expansão urbana. A redução de presas naturais e a presença de animais domésticos também influenciam a aproximação.

“Os eventos climáticos extremos aumentam a ocorrência de incêndios no Pantanal, o que provoca perda de habitat, redução de abrigo e diminuição da oferta de presas naturais”, informou o grupo. “Com isso, as onças podem ser forçadas a se deslocar para novas áreas em busca de alimento e água”.

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