Alckmin afirma que encontro entre Lula e Trump deve fortalecer o diálogo

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Em São Paulo, nesta segunda-feira, o vice-presidente Geraldo Alckmin projetou que a reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, prevista para esta semana em Washington, terá como base o diálogo e poderá estreitar a cooperação entre os dois países.

Ao comentar a relação pessoal entre os mandatários e o potencial do encontro, Alckmin destacou a importância de ampliar afinidades institucionais. “Eu torço para que essa boa química que ocorreu entre o presidente Lula e o presidente Trump possa fortalecer ainda mais em benefício dos dois grandes países, duas grandes democracias do Ocidente”

O vice ressaltou ainda o peso econômico da aproximação para o Brasil, citando a posição dos Estados Unidos no comércio e nos fluxos de investimento. “Esse encontro é muito importante porque os Estados Unidos são o terceiro parceiro comercial do Brasil, atrás da China e da União Europeia. Mas ele é o primeiro investidor no Brasil. Então é [uma reunião] muito importante”

Alckmin também abordou a agenda técnica que deverá constar nas conversas bilaterais, apontando espaço para negociações sobre tarifas e barreiras comerciais. “A questão tarifária, nós sempre defendemos que tivesse uma relação melhor. Aquele tarifação não tinha sentido porque os Estados Unidos têm déficit na balança comercial com muitos países do mundo, mas não tem com o Brasil”

Segundo o vice, a aproximação traria ganhos recíprocos, com ênfase em investimentos e obstáculos não tarifários, além de temas de tecnologia e recursos estratégicos. “O presidente Lula é do diálogo. Toda orientação é no sentido de fortalecer a relação Brasil e Estados Unidos. É um ganha-ganha. Nós temos aqui mais de 3 mil, quase 4 mil empresas americanas no Brasil. Acho que estamos vivendo um outro momento, passando o tarifação. E agora é fortalecer essa parceria, derrubar também barreiras não tarifárias.”

Oportunidades e tecnologia

No encontro com empresários na Câmara de Comércio Sueco-Brasileira, Alckmin apontou áreas específicas para atração de investimentos e cooperação industrial, mencionando iniciativas em infraestrutura digital. “Vai ter aqui o Redata, um programa para atrair data center. Tem muita oportunidade de investimentos recíprocos”

Programa Desenrola e reação empresarial

Sobre a política doméstica, Alckmin falou do programa Desenrola, anunciado pelo presidente Lula na manhã de hoje, que pretende renegociar dívidas de pessoas físicas com renda de até cinco salários mínimos e oferecer condições também a pequenas empresas.

Ao explicar o alcance social do programa, o vice observou os benefícios previstos para famílias e empresas. “O Desenrola é necessário porque vai ajudar as famílias. O desconto pode chegar a 90%. E ele vai garantir juros mais baixos, além de atender também pequenas empresas”

Na mesma agenda em São Paulo, a Câmara de Comércio Sueco-Brasileira apresentou a pesquisa Business Climate Survey 2026, realizada entre 30 de janeiro e 6 de março com 60 empresas suecas, mostrando sinais favoráveis à presença sueca no Brasil.

Conforme divulgado pela Câmara, 63% das empresas suecas com atuação no país esperam aumentar o abastecimento a partir da Europa com base no acordo Mercosul-União Europeia, 49% preveem oportunidades de expandir exportações do Brasil para a Europa e 46% têm planos de ampliar investimentos no país nos próximos doze meses, enquanto 73% declararam ter tido lucro em 2025.

O conjunto de mensagens de Alckmin articulou, portanto, a expectativa de um encontro pautado pelo diálogo em Washington com reflexos na atração de investimentos, na negociação de barreiras comerciais e em programas internos de estímulo à recuperação de renda e crédito.

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