Lula diz que pobres não podem pagar o custo das guerras e cobra ação da ONU

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um discurso contundente contra os conflitos armados e demandou maior protagonismo da Organização das Nações Unidas para responder à escalada de guerras que, segundo ele, penaliza especialmente os mais pobres.

Ao explicar o impacto econômico e social dos choques externos, Lula citou exemplos de repercussões imediatas sobre preços e meios de subsistência e questionou quem arca com esses custos. “O Trump invade o Irã e aumenta o feijão no Brasil, o milho no México, aumenta a gasolina em outro país. É o pobre que vai pagar pela irresponsabilidade de guerras que ninguém quer?”

Na sequência, o presidente relacionou conflitos e crises humanitárias a indicadores sociais globais que, em sua avaliação, exigem prioridade política. “Temos mais de 760 milhões de pessoas passando fome, temos milhões de pessoas analfabetas, tivemos milhões de pessoas que morreram porque não tinha vacina contra a covid-19”

Lula reivindicou medidas concretas da ONU para tratar a multiplicidade de conflitos e sublinhou a necessidade de mecanismos extraordinários de coordenação entre as nações. “Precisamos exigir que o secretário-geral da ONU convoque reuniões extraordinárias, mesmo sem pedir aos cinco membros do Conselho de Segurança”

O presidente também fez críticas diretas a conflitos específicos e à prática de decisões unilaterais por potências, ressaltando que a comunidade internacional tem hoje um número de guerras recorde desde a Segunda Guerra Mundial. “Nenhum presidente de nenhum país do mundo, por maior que seja, tem o direito de ficar impondo regras a outros países. Nenhum. E os cinco membros do Conselho de Segurança da ONU devem se reunir para mudar seu comportamento.Nós não podemos levantar todo dia de manhã, e dormir todo dia a noite, com tuíte de um presidente da República ameaçando o mundo, fazendo guerra. Ou seja, e todos eles tomam decisão sem consultar a ONU, da qual são eles membros e fazem parte do conselho”

O discurso também incluiu uma defesa explícita do multilateralismo e da participação ativa dos países nas organizações internacionais. “Fortalecer o multilateralismo depende de nós”

Regulação das plataformas digitais

Lula acusou as redes sociais e plataformas digitais de contribuir para a desestabilização política e pediu que a ONU lidere a discussão sobre regras globais para esses serviços. “A verdade, nua e crua, é que a mentira ganhou da verdade. Esse é o dado concreto. Para mentir, você não tem que explicar. Para se justificar, você tem que se explicar”

Na mesma linha, o presidente cobrou mecanismos que preservem soberania eleitoral e territorial diante de interferências externas por meio das plataformas. “Ela precisa funcionar para garantir, por exemplo, que as plataformas sejam reguladas no mundo inteiro, para todo mundo. Não pode o presidente da República interferir na eleição de um país interferir na eleição de outro, pedir voto para outro. Cadê a soberania eleitoral? Cadê a soberania territorial? Esse é um tema que nós precisamos discutir e nos fazer ouvir. E o cenário que temos que brigar é dentro das Nações Unidas”

Fórum e agenda na Europa

O pronunciamento ocorreu em Barcelona neste sábado durante a quarta reunião de alto nível do Fórum de Defesa da Democracia, organizada pelo presidente do Governo da Espanha, Pedro Sánchez. O encontro reúne líderes e ex-líderes, entre eles Yamandú Orsi do Uruguai, Gustavo Petro da Colômbia, Cyril Ramaphosa da África do Sul, Claudia Sheinbaum do México e o ex-presidente chileno Gabriel Boric.

O Fórum Democracia Sempre é uma iniciativa lançada em 2024 envolvendo os governos do Brasil, Espanha, Colômbia, Chile e Uruguai, conforme a organização do evento.

O presidente permanece na Europa para compromissos em três países. Após a agenda em Barcelona, Lula segue para a Alemanha no domingo, onde participará da Hannover Messe, considerada a maior feira de inovação e tecnologia industrial do mundo, e terá reunião com o chanceler Friedrich Merz. A viagem termina no dia 21 com uma visita de Estado a Portugal, onde encontrará o primeiro-ministro Luís Montenegro e o presidente António José Seguro.

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