Brasil e Espanha fecham acordos sobre big techs e tecnologia digital na cúpula
Na 1ª Cúpula Brasil-Espanha, realizada em Barcelona na sexta-feira (17), acordos bilaterais foram assinados para enfrentar desafios das big techs e ampliar cooperação em tecnologia digital e minerais
Presidentes dos dois países assinaram um conjunto de documentos que consolidam entendimentos em matérias internacionais e garantias sobre direitos de seus povos, durante a 1ª Cúpula Brasil-Espanha.
Os entendimentos englobam, entre outros pontos, cooperação em tecnologias da informação e telecomunicações, políticas públicas para pequenas e médias empresas, intercâmbio cultural com foco em sustentabilidade, acordos em transportes aéreos e previdência social, concluídos em reuniões setoriais com autoridades de Brasília e Madri.
O presidente destacou a necessidade de normas específicas para a atuação das grandes empresas digitais. “Sem regras, as big techs vão instituir a era do colonialismo digital”. Lula acrescentou que essas empresas extraem e monetizam dados das pessoas e concentram poder “nas mãos de um punhado de bilionários”.
Em Barcelona, o presidente lembrou a trajetória de investimentos espanhóis no Brasil e a presença de companhias de setores como telecomunicações, finanças, energia e infraestrutura. “As empresas espanholas arremataram 50 projetos no Programa de Parcerias e Investimentos brasileiro, somando mais de US$ 10 bilhões em investimentos.”
Para reforçar autonomia tecnológica, foram mencionadas iniciativas conjuntas entre centros de pesquisa. “Essa colaboração vai permitir o desenvolvimento de projetos conjuntos em inteligência artificial e outras áreas.” A ação foi detalhada com referência ao diálogo entre o Centro Nacional de Supercomputação de Barcelona e o Laboratório Nacional de Computação Científica.
Além da agenda tecnológica, os acordos preveem cooperação no setor de minerais estratégicos. “Assumimos o compromisso de cooperar em diferentes etapas da cadeia de minerais estratégicos, gerando conhecimento e agregando valor”. O compromisso busca integrar etapas produtivas e ampliar o valor agregado nas cadeias colaborativas.
O primeiro-ministro espanhol sublinhou o papel de ambos os países na aproximação entre União Europeia e América Latina e Caribe, destacando afinidades políticas e comerciais. Ele chamou Brasil e Espanha de “países motores” e reforçou a importância geopolítica da parceria.
Em relação ao bloco sul-americano, Pedro Sánchez afirmou sua intenção em transmitir postura de diálogo. “No âmbito do Mercosul, queremos transmitir uma mensagem totalmente diferente: de cooperação, de abertura, de confiança mútua e de prosperidade compartilhada.” Em seguida, listou compromissos sociais que fazem parte da agenda bilateral. “Avançamos também em compromissos sociais, voltados à luta contra a violência de gênero, à promoção da igualdade racial e à economia solidária.”
Os documentos assinados também abordam ações conjuntas no combate à desigualdade social, a diversos tipos de discriminação e ao crime organizado, confirmando posições comuns explicitadas ao longo da cúpula. As negociações setoriais complementares deram origem aos pactos em diferentes frentes técnicas e econômicas.
Conforme divulgado durante a cúpula, as medidas deverão fomentar projetos de pesquisa, investimentos e troca de experiências institucionais, sem prejudicar a soberania de políticas públicas nacionais. Colaborou Andréia Verdélio.

