Lula pede mobilização das centrais sindicais para aprovar fim da escala 6×1

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu no Palácio do Planalto dirigentes de centrais sindicais logo após enviar ao Congresso Nacional o projeto que limita a jornada a 40 horas semanais e extingue a escala 6×1. Na ocasião, foram entregues 68 reivindicações apresentadas durante a marcha da classe trabalhadora na Esplanada dos Ministérios, realizada na quarta-feira (15) em Brasília.

Ao começar o encontro com os representantes, o presidente ressaltou que a aprovação do projeto dependerá da articulação sindical e da pressão social. “Vocês não podem abdicar da sagrada responsabilidade de vocês de lutar pelos trabalhadores que vocês representam”. Em seguida, ele apontou o caráter difícil do processo legislativo e a necessidade de engajamento continuado. “Não tem tempo fácil. É sempre muito sacrifício. E cada vez que a gente manda uma coisa para aprovar no Congresso, é preciso saber que vocês têm que ajudar”.

O projeto que propõe reduzir a jornada foi inspirado por relatos sobre impactos do excesso de trabalho na saúde, segundo os organizadores do movimento Vida Além do Trabalho. Rick Azevedo, ativista que deu origem ao projeto, recuperou sua experiência pessoal ao falar com os presentes. “Em 13 de setembro de 2023, eu falei: ‘chega’… Então eu postei um vídeo no TikTok revoltado e denunciando esse modelo de trabalho de seis dias consecutivos para apenas um dia de folga. E o vídeo viralizou”. O presidente chegou a sugerir que, se aprovada, a lei leve o nome do ativista.

Ao abordar retrocessos recentes na legislação trabalhista e previdenciária, Lula criticou reformas anteriores e alertou para propostas que, na visão dele, poderiam ampliar direitos de forma regressiva. Ele também advertiu sobre movimentos no país favoráveis a mudanças semelhantes às promovidas na Argentina, que chegaram a prever jornadas bem superiores às atuais.

Na avaliação dos dirigentes sindicais, o envio do projeto ao Congresso marca um momento de transformação que exige ações conjuntas das centrais. Adilson Araújo presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil observou um potencial de geração de empregos com a redução da jornada e trouxe uma estimativa sobre o efeito da medida. “Essa medida gera 4 milhões de empregos”.

O presidente da Força Sindical, Miguel Torres, destacou a dimensão da mobilização que levou trabalhadores às ruas naquela quarta-feira e avaliou a maturidade política do projeto para entrar em vigor. “É mais tempo para a família, para a saúde para o lazer, para estudar e para a pessoa”. Torres também informou que mais de 20 mil trabalhadores participaram da marcha segundo a organização do evento.

O coordenador do Fórum das Centrais Sindicais, Clemente Ganz, estruturou a pauta entregue ao governo em 68 reivindicações que visam orientar ações para os próximos cinco anos e situou o debate no contexto de profundas mudanças no trabalho. “Mulheres e jovens serão os mais impactados pela inteligência artificial e pela inovação tecnológica, segundo os últimos estudos da OIT. Nós temos a mudança climática e a emergência ambiental com impacto sobre o mundo do trabalho”.

De acordo com representantes presentes, outras demandas apresentadas incluem proteção a trabalhadores por aplicativo e entregadores e a defesa de direitos trabalhistas tradicionais frente a formas de contratação precarizadas. Ricardo Patah presidente da União Geral dos Trabalhadores apontou a necessidade de centrar a pauta também na vida e na saúde dos trabalhadores e na formação da juventude.

Além das questões de emprego e tecnologia, a agenda também incorporou temas sociais mais amplos. Sônia Zerino presidenta da Nova Central Sindical de Trabalhadores afirmou que a pauta deve contemplar o combate ao feminicídio por meio de ações educativas. “Nós precisamos fazer esse combate conscientizando a população pela educação”.

O encontro no Planalto reuniu sindicalistas que defendem a ampliação de direitos e prepararam um conjunto articulado de ações para pressionar a tramitação do projeto no Congresso. As centrais afirmam que manterão mobilização e diálogo com parlamentares enquanto o governo busca aprovar a proposta nas próximas etapas legislativas.

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