Fórmula 1 adota gasolina sintética por neutralidade de carbono

Carro de Fórmula 1 no box com equipe técnica próxima ao tanque de combustível

Equipes da Fórmula 1 passam a usar combustíveis sintéticos e biocombustíveis para reduzir emissões mantendo ronco e com potencial para carros de passeio

Equipes de Fórmula 1 passaram a ser obrigadas neste ano a competir abastecendo os carros com combustíveis sustentáveis em busca de redução das emissões e neutralidade de carbono.

Os combustíveis sintéticos são a principal novidade e são produzidos a partir do reaproveitamento de materiais que vão de lixo orgânico a resíduos de biomassa e também da captura de dióxido de carbono na atmosfera. Esses materiais passam por uma queima controlada para aproveitamento dos gases gerados, que então sofrem reações químicas até se transformarem em um líquido próprio para os tanques dos carros. Segundo o Valor, após a combustão nos motores os escapamentos continuam emitindo dióxido de carbono, porém apenas devolvendo para a atmosfera o CO2 que tinha sido captado antes, mantendo neutralidade na equação final.

Uso atual e consequência para ruas

A categoria já opera com tecnologia híbrida e recupera eletricidade utilizada em parte da propulsão. Cerca de 50% do que move os pilotos em velocidades que chegam aos 370 km/h vem da eletricidade reaproveitada pelo próprio carro. A nova gasolina pode ser empregada também em carros de passeio atuais e tende a reduzir a emissão de poluentes desses veículos enquanto preserva o som e a vibração característicos dos motores a combustão.

Sintéticos ainda não são viáveis comercialmente em escala ampla, e por isso a entrada na Fórmula 1 tem objetivo de dar visibilidade e acelerar o desenvolvimento do produto. Valeria Loreti, gerente de tecnologia para operações e marketing de automobilismo da Shell, parceira da Ferrari na F1, comenta sobre o impacto da mudança.

“É uma virada de jogo na forma como as pessoas pensam e falam sobre sustentabilidade. O combustível sustentável para corridas pode se tornar um conceito que as pessoas reconheçam e vejam como o futuro da mobilidade”

A adoção pelos times busca não apenas reduzir a pegada de carbono da categoria mas também estimular avanços tecnológicos que possam migrar para a mobilidade urbana.

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