PF aponta que PM do Rio ainda não entregou imagens da Operação Contenção

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A Polícia Federal informou na segunda-feira que as imagens captadas pelas câmeras corporais dos agentes da Polícia Militar que atuaram na Operação Contenção, realizada no ano passado no Rio de Janeiro, ainda não foram entregues à corporação.

Em março, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou que as polícias Militar e Civil encaminhassem à Polícia Federal todo o conteúdo audiovisual da operação, cuja investigação avaliativa tramita no processo conhecido como ADPF das Favelas número 635, e que a PF ficaria responsável pela perícia do material.

Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, encaminhou ofício ao ministro com o levantamento do recebimento e da análise dos arquivos.

“Não foi recebido qualquer acervo audiovisual relativo às equipes da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ) que atuaram na operação com efetivo significativamente maior e número substancialmente superior de dispositivos de gravação corporal”

O documento informa que a corporação já realiza a perícia do material remetido pela Polícia Civil, mas que o conjunto enviado até o momento corresponde apenas a parte do universo de imagens exigido pela decisão judicial.

Conforme o ofício, a PF contabiliza cerca de 400 horas de gravações da Polícia Civil a serem examinadas, tarefa que implicará trabalho técnico e de infraestrutura especializados.

“Cumpre informar que equipe de 10 peritos criminais federais já se encontra mobilizada, trabalhando nos exames com caráter prioritário, no entanto não se revela tecnicamente viável o cumprimento do prazo de 15 dias fixado na decisão, à luz das condições atualmente verificadas, sendo imprescindível a concessão do prazo técnico estimado em pelo menos 90 dias”

O pedido de prazo adicional tem por base a volumetria do material e a necessidade de análise pericial detalhada. A PF solicitou a extensão do prazo originalmente fixado em 15 dias para concluir os exames do acervo recebido.

A Operação Contenção, alvo da apuração, deixou mais de 120 mortos, motivo pelo qual a corte já havia determinado diversas medidas voltadas à redução da letalidade em operações em comunidades do Rio de Janeiro.

O andamento do processo segue sob supervisão do STF no âmbito da ADPF das Favelas número 635, com a expectativa de que a juntada integral das imagens pela PMERJ seja providenciada para que a perícia federal possa prosseguir de forma completa.

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