Executivos de big techs usam inteligência artificial para justificar demissões em massa
O avanço da inteligência artificial se tornou a principal justificativa das gigantes da tecnologia para a recente onda de cortes de postos de trabalho. Companhias como Amazon, Meta, Google e Microsoft planejam investir o montante recorde de 650 bilhões de dólares no setor no próximo ano, exigindo uma redução drástica na folha de pagamento corporativa para compensar os altos custos de desenvolvimento.
O discurso corporativo tradicional trocou as justificativas de reestruturação pela promessa de fazer mais com equipes reduzidas, como demonstrado pelo executivo Jack Dorsey ao cortar quase metade da força de trabalho da Block. “Ferramentas de inteligência mudaram o que significa construir e administrar uma empresa, pois uma equipe significativamente menor pode fazer mais e melhor usando os recursos que estamos desenvolvendo.”
O investidor de tecnologia Terrence Rohan enxerga uma melhora na imagem pública das empresas diante de demissões ao utilizar a justificativa tecnológica para acalmar acionistas preocupados com os custos. “Apontar para a IA rende um post de blog melhor, ou pelo menos não faz você parecer tanto o vilão que só quer cortar pessoas por rentabilidade.”
A justificativa encontra respaldo prático no dia a dia das operações de tecnologia, visto que algumas startups já operam com até 75% de seus códigos de programação gerados por sistemas automatizados. O avanço representa um desafio direto para carreiras antes consideradas altamente seguras e bem remuneradas no mercado de trabalho global.
A diretora da consultoria Bain para a área de tecnologia aponta a existência de uma mistura de mudança de narrativa com saltos reais de produtividade nas corporações globais. “Líderes mais recentemente estão percebendo que essas ferramentas são suficientemente boas para realmente permitir fazer a mesma quantidade de trabalho com fundamentalmente menos pessoas.”
A Amazon cortou cerca de 30 mil funcionários corporativos desde outubro para equilibrar investimentos bilionários, enquanto a diretora financeira do Google justificou cortes semelhantes na sua empresa como uma forma de otimizar recursos operacionais. “Quanto mais capital pudermos liberar dentro da organização para investir, melhor podemos girar essa engrenagem de investimentos que impulsionam o crescimento futuro.”
O chefe da Meta projetou recentemente que as mudanças no ambiente de trabalho se tornarão ainda mais drásticas até 2026, motivando o corte de centenas de vagas na empresa apenas nas últimas semanas. A demonstração de controle financeiro ao dobrar os gastos com novas tecnologias serve como um sinal positivo para os acionistas preocupados com os custos bilionários de desenvolvimento.

