Embaixador do Irã diz que negociação com os EUA é ilusão e virou piada mundial

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O embaixador do Irã no Brasil posicionou-se de forma contundente sobre a relação com Washington ao descrever a proposta de diálogo norte-americana como vã e alvo de escárnio internacional. “Diariamente, o senhor Trump está negociando consigo mesmo e pensa que está negociando conosco. Essa ilusão tornou-se tão explícita, tão clara, que virou piada mundial.”

Ao trazer a reação interna, ele ressaltou o papel da sociedade iraniana na definição da política do governo. “A opinião pública no Irã está pressionando seriamente o governo iraniano e o instando a não se deixar enganar pelas negociações da outra parte.”

Interrupções durante tentativas de acordo

Ele relatou que acordos em negociação foram sistematicamente interrompidos por ataques que alteraram o curso das conversas e geraram conflito aberto. “Em junho de 2025, quando estávamos no meio das negociações com os Estados Unidos (EUA), fomos atacados e aconteceu a guerra de 12 dias.”

O embaixador disse que ação semelhante ocorreu em outra rodada mediada por Omã e que, na sua avaliação, existe uma lógica cíclica adotada por partes externas que alterna conflito e negociação. Em consequência, afirmou que o Irã entende ser necessário responder para impedir novas agressões.

Danos a Israel e justificativa das ações iranianas

Sobre o impacto das ações iranianas sobre Tel Aviv, a representação diplomática afirmou que os ataques tiveram efeito considerável sobre a capacidade do governo israelense. “Com base em nossas informações, o regime sionista [Israel] tem sido danificado de forma significativa.”

O embaixador acrescentou que as ações de resposta são calculadas segundo princípios éticos e religiosos, e que, por isso, são controladas, embora poderosas, e criticou a omissão de informações adversárias pela mídia externa.

Ao tratar das alegações de que o Irã atuaria por meio de aliados regionais, ele questionou a narrativa corrente sobre relações de subordinação. “Eles os nomearam como proxies [do Irã].” Ele também afirmou que cabe analisar quem realmente atua como instrumento de quem, propondo verificar se os EUA não seriam, em alguns casos, o agente a serviço de outros interesses.

Na avaliação sobre movimentos no Líbano, Iraque, Iêmen e Palestina, o embaixador contextualizou as ações desses grupos como reações locais a invasões e ocupações, ressaltando que agem segundo interesses nacionais próprios.

Abdollah Nekounam Ghadiri ainda comentou os efeitos das operações militares sobre instituições científicas e acadêmicas, apontando que ataques a universidades e pesquisadores evidenciam um esforço para frear avanços tecnológicos e científicos iranianos.

O diplomata também descreveu mudanças na liderança iraniana após episódios recentes de violência, ao afirmar que o comando supremo teve alteração familiar e que a estrutura de poder integra órgãos como o Executivo, Parlamento, Judiciário e o Conselho dos Guardiões, composto por seis indicados pelo aiatolá e seis indicados pelo Parlamento.

Sobre a situação interna após um mês de conflito intenso, ele descreveu resistência popular e manutenção de serviços básicos em meio às dificuldades. “O povo permanece nas ruas e defende fortemente a soberania.”

Quanto à cobertura brasileira, o embaixador elogiou reportagens que, segundo ele, mostraram o lado real do conflito, e criticou editoriais que, em sua visão, incitam a hostilidade contra civis, citando como exemplo uma peça editorial publicada pelo Estado de S. Paulo.

Os posicionamentos foram externados em entrevista exclusiva à Agência Brasil e representam a versão oficial trazida pela embaixada do Irã no Brasil sobre os temas abordados.

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