Brasil atinge meta de alfabetização com critérios questionados por especialistas
O Ministério da Educação registrou que 66% das crianças da rede pública alcançaram a alfabetização na idade certa e superou a meta estabelecida para 2025. O avanço em relação aos 56% registrados no ano anterior levanta debates sobre a simplicidade do método de avaliação aplicado pelo Compromisso Nacional Criança Alfabetizada.
A prova brasileira considera alfabetizado o aluno que consegue ler textos de até seis linhas e localizar informações explícitas. O modelo difere radicalmente do sistema chileno para estudantes do segundo ano escolar, que exige a leitura autônoma de textos longos e a elaboração de respostas escritas com opiniões próprias.
O formato atual do exame nacional inclui questões focadas na identificação de rimas ou sílabas e permite que professores leiam parte dos enunciados em voz alta durante a aplicação. A prática de medir apenas a decodificação básica de palavras cria um cenário onde estudantes chegam aos 15 anos sem conseguir interpretar textos de complexidade média.
O professor da Fundação Getulio Vargas e ex-secretário de Educação Alexandre Schneider alerta que manter os padrões baixos na infância empurra as dificuldades de aprendizado para as etapas seguintes. “A avaliação não apenas mede o sistema, ela o regula, definindo a temperatura que o sistema vai perseguir e impedindo que ela suba além disso”.
A inclusão de textos longos e respostas dissertativas nas próximas edições da prova surge como um caminho viável para elevar a qualidade do ensino no país. O avanço progressivo das exigências precisa ocorrer junto ao fornecimento de formação e materiais pelo governo federal para garantir a adaptação técnica das escolas.

