CPMI do INSS é encerrada sem relatório final após rejeição do parecer
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS encerrou as atividades sem aprovar um relatório final após o parecer do deputado Alfredo Gaspar (União-AL) ser rejeitado por 19 votos a 12, decisão que culminou no fechamento dos trabalhos sem a leitura do texto alternativo apresentado pela base governista.
Relatórios e encaminhamentos
O documento de Alfredo Gaspar, com mais de quatro mil páginas, sugeria o indiciamento de 216 pessoas, entre elas Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, o empresário Maurício Camisotti, o dono do Banco Master Daniel Vorcaro, ex-ministros, ex-dirigentes do INSS e parlamentares. Ainda constava no texto o pedido de indiciamento de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, com a alegação de repasses por meio da empresária Roberta Luchsinger.
Ao final da sessão, o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), anunciou medidas sobre o destino dos documentos antes de encerrar os trabalhos
“A investigação continuará.”
Conforme informado pela presidência da CPMI, cópias do parecer rejeitado serão encaminhadas a órgãos como o Ministério Público Federal e o Supremo Tribunal Federal.
Relatório alternativo e desdobramentos
O relatório alternativo apresentado pela base do governo listava 201 indiciados, incluindo ex-ministros, servidores do INSS, dirigentes de associações, assessores e políticos. Entre os nomes citados estava o ex-presidente Jair Bolsonaro, apontado como suposto comandante de uma organização criminosa que fraudaria descontos associativos do INSS, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), igualmente indicado por organização criminosa.
Durante a sessão, a senadora Eliziane Gama (PSD-MA) pediu apreciação do relatório alternativo por meio de uma questão de ordem; o presidente Carlos Viana não acolheu o pedido e também não designou relator para proceder à leitura do texto da base governista.
O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) informou que o documento produzido pela base do governo será encaminhado à Polícia Federal.
A reunião teve início pouco antes das 10h de sexta-feira e perdurou até depois da 1h da madrugada de sábado, horário em que a comissão foi formalmente encerrada.
O encerramento ocorreu depois de decisão do Supremo Tribunal Federal que, na quinta-feira anterior, rejeitou o pedido de prorrogação dos trabalhos da CPMI do INSS, fixando o marco temporal para o desfecho das atividades.
A CPMI havia iniciado suas investigações em agosto de 2025, a partir de apurações sobre descontos indevidos nos benefícios de aposentados e pensionistas do INSS. No curso dos trabalhos, o escopo incluiu supostas conexões do Banco Master com a concessão irregular de empréstimos consignados.
Nas semanas finais, a comissão enfrentou críticas relacionadas ao vazamento de conversas pessoais atribuídas a Daniel Vorcaro, obtidas a partir de celulares apreendidos pela Polícia Federal e posteriormente repassados à CPMI após autorização do ministro André Mendonça, relator da matéria no STF.
O registro dos fatos, a lista de indiciados e a decisão de encaminhamento das cópias aos órgãos competentes foram consignados nos autos da comissão e agora seguem para as instituições referidas pela presidência.

