Exames para rastrear câncer de intestino registram triplicação no SUS

news 174355 1774278359

O volume de procedimentos utilizados para detectar precocemente o câncer de intestino realizados pelo Sistema Único de Saúde aumentou de forma expressiva na última década, passando de 1.146.998 para 3.336.561 exames de pesquisa de sangue oculto nas fezes entre 2016 e 2025, e de 261.214 para 639.924 colonoscopias no mesmo período.

O aumento corresponde a aproximadamente 190% no caso da pesquisa de sangue oculto nas fezes e cerca de 145% nas colonoscopias, segundo levantamento divulgado no âmbito da campanha Março Azul.

Em 2025, a distribuição regional mostrou concentrações significativas das ações de rastreamento, com São Paulo liderando o total de pesquisas de sangue oculto nas fezes, 1.174.403 exames, seguido por Minas Gerais com 693.289 e Santa Catarina com 310.391. Nos extremos, foram registrados 1.356 exames no Amapá, 1.558 no Acre e 2.984 em Roraima.

A mobilização em torno do tema envolve entidades médicas que promovem a iniciativa desde 2021, articulando ações de conscientização e ampliação da oferta de exames. A campanha Março Azul é organizada pela Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva, pela Sociedade Brasileira de Coloproctologia e pela Federação Brasileira de Gastroenterologia, e conta em 2025 com apoio institucional da Sociedade Brasileira de Anestesiologia, da Associação Médica Brasileira e do Conselho Federal de Medicina.

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (Sobed), Eduardo Guimarães Hourneaux, a expansão decorre de estratégias de conscientização coordenadas por essas entidades e por gestores públicos. “A campanha Março Azul tem transformado o medo em atitude e esperança”

Ele observa que o movimento de busca por exames ocorre de forma crescente a cada edição da campanha. “A cada ano, mais pessoas deixam de adiar o cuidado com a saúde do intestino e procuram os serviços de saúde para realizar exames, o que se reflete em um aumento expressivo de colonoscopias e testes de rastreamento justamente durante o mês de março”

Segundo o mesmo representante, a mudança não é apenas resultado de divulgação, mas também de ações práticas adotadas por autoridades em diferentes esferas. “É fruto do compromisso de autoridades municipais, estaduais e federais, que abraçaram a causa, iluminaram prédios, organizaram mutirões e levaram a mensagem de prevenção para as ruas, escolas e unidades de saúde”

A campanha também registra impacto associado à visibilidade pública de casos de pessoas conhecidas que enfrentaram a doença. Em análise preliminar feita pela iniciativa, a trajetória do caso da cantora Preta Gil coincide com um incremento nos exames realizados no SUS; entre a divulgação do diagnóstico da artista, em 2023, e a morte dela, dois anos depois, o total de pesquisas de sangue oculto nas fezes cresceu 18% no SUS, enquanto o volume de colonoscopias cresceu 23%.

O efeito de relatos públicos é destacado como impulso adicional à procura por detecção precoce. “Ao tornarem público o diagnóstico de câncer de intestino, diversas pessoas famosas ajudaram a transformar a própria dor em alerta para milhões de outras pessoas. Nomes como Preta Gil, Chadwick Boseman, Roberto Dinamite e outros passaram a falar abertamente sobre sintomas, tratamento e, sobretudo, sobre a importância de não adiar a investigação quando algo não vai bem”

O Instituto Nacional de Câncer projeta aumento das mortes prematuras por câncer de intestino até 2030, considerando fatores demográficos e epidemiológicos, entre eles o envelhecimento populacional, a elevação da incidência entre pessoas mais jovens, o diagnóstico tardio e a baixa cobertura de rastreamento, conforme estimativas divulgadas pelo órgão.

Os dados compilados pela campanha e pelas sociedades médicas indicam que a combinação de ações públicas, maior visibilidade do problema e ampliação do acesso a exames tem repercutido em números mais altos de procedimentos ofertados pelo SUS, mantendo a necessidade de monitoramento e de políticas que ampliem o alcance do rastreamento em todo o país.

PUBLICIDADE


andorinha

Veja também