Atores veteranos ganham espaço nas telas mas representação levanta debate sobre clichês
A presença de artistas com mais de 80 anos em papéis centrais no cinema e na televisão brasileira vive um momento de alta. O lançamento do filme Velhos Bandidos na próxima quinta-feira (26) exemplifica essa tendência ao colocar Fernanda Montenegro e Ary Fontoura como protagonistas.
O aumento da visibilidade dessa faixa etária gera discussões sobre a qualidade das narrativas oferecidas a esses profissionais. Existe um questionamento sobre a superação de estereótipos ou a manutenção de fórmulas repetitivas nas produções audiovisuais.
A trama da nova comédia mostra os personagens de Fernanda e Ary enganando criminosos interpretados por Bruna Marquezine e Vladimir Brichta. A obra aposta na inversão de expectativas ao apresentar dois idosos aparentemente frágeis que atuam como golpistas astutos.
A produção inclui participações de nomes como Nathália Timberg e Vera Fischer em aparições sem grande peso para o roteiro. A exceção fica por conta de Reginaldo Faria com um papel de relevância direta para o desenvolvimento da história.
Informações de bastidores apontam que este trabalho pode marcar a despedida de Fernanda Montenegro dos cinemas após décadas de atuação. O veterano Ary Fontoura segue ativo na televisão e recentemente concluiu sua participação na novela Êta Mundo Melhor.
O tratamento superficial de personagens idosos é uma marca histórica em diversas telenovelas brasileiras. Em Três Graças a personagem de Arlete Salles funciona prioritariamente como alívio cômico sem aprofundamento nos conflitos familiares com a filha.
Um cenário semelhante ocorreu em 2003 na obra Mulheres Apaixonadas com os avós Flora e Leopoldo figurando apenas como vítimas passivas. Algumas produções conseguiram apresentar abordagens mais complexas como Senhora do Destino em 2004 e a recente Dona de Mim.
Na trama de Dona de Mim a atriz Suely Franco interpretou uma matriarca que enfrentava o Alzheimer sem perder a inteligência e a autonomia. A construção do roteiro incluiu memórias do passado da personagem para evidenciar uma trajetória de força independente da doença.

