Países europeus e Japão anunciam disposição para reabrir o Estreito de Ormuz

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Os seis governos emitiram uma nota conjunta manifestando disponibilidade para contribuir com operações que busquem restabelecer a circulação marítima no Estreito de Ormuz, fechado pelo Irã após a escalada do conflito.

No texto divulgado em conjunto pelos governos aparece a declaração que sintetiza o compromisso político firmado pela coalizão internacional. “Manifestamos nossa disposição em contribuir com os esforços necessários para garantir a passagem segura pelo Estreito. Saudamos o compromisso das nações que estão se empenhando no planejamento preparatório” No comunicado conjunto consta que não foram detalhadas as medidas práticas para implementar a reabertura.

A declaração surge poucos dias depois de governos europeus e o Japão terem recusado integrar operações promovidas pelos Estados Unidos e por Israel para desbloquear a rota, episódio que gerou irritação do presidente americano Donald Trump que afirmou que não precisaria de “ninguém” para liberar a área. O episódio da recusa antecede a publicação da nota e ajuda a explicar a cautela na formulação das propostas.

Na mesma nota os signatários expressam repúdio aos ataques atribuídos ao Irã contra embarcações no Golfo e contra infraestruturas civis, incluindo instalações de petróleo e gás, e sustentam a primazia do princípio da liberdade de navegação no direito internacional. “Expressamos nossa profunda preocupação com a escalada do conflito. Exigimos que o Irã cesse imediatamente suas ameaças, o lançamento de minas, os ataques com drones e mísseis e outras tentativas de bloquear o Estreito à navegação comercial” A nota ressalta o caráter global dos efeitos humanitários e econômicos dessas ações.

O comunicado ainda chama atenção para as consequências diretas do bloqueio do Estreito, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, informou o grupo. “Os efeitos das ações do Irã serão sentidos por pessoas em todas as partes do mundo, especialmente pelas mais vulneráveis” conforme consta no texto, que vincula a continuidade do fechamento a pressões sobre os mercados e a alta do preço do barril no mercado global.

Contexto e sequência dos ataques

O fechamento do Estreito foi declarado pelo Irã em resposta aos bombardeios lançados por Estados Unidos e Israel a partir de 28 de fevereiro, data em que teve início uma nova ofensiva contra Teerã. Naquele ataque foi atingida a capital e morreu o líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei, além de outras autoridades, e seu filho Mojtaba Khamenei foi escolhido como novo líder.

Desde então houve uma sucessão de ações e retaliações. O Irã disparou mísseis contra países árabes do Golfo onde há presença militar americana, entre eles Kuwait, Catar, Emirados Árabes Unidos e Jordânia. No cenário interno de alianças, as principais potências europeias têm dado apoio político aos ataques contra o Irã, com exceção da Espanha que anunciou condenação à guerra.

A guerra ganhou nova intensidade na quarta-feira (18) quando Israel bombardeou o campo de gás South Pars, no Irã, provocando retaliações que atingiram indústrias de energia no Catar, na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos. Os ataques contra infraestrutura de produtores relevantes de petróleo e gás ampliaram as incertezas econômicas associadas ao conflito.

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