Guerra registra crianças mortas ou feridas em média por dia no Líbano
Ted Chaiban, vice-diretor executivo do Fundo das Nações Unidas para a Infância, ressaltou o impacto humanitário do conflito e ofereceu uma comparação direta sobre as perdas entre as crianças. “É uma sala de aula de crianças por dia desde o início da guerra que é morta ou ferida no Líbano” Chaiban fez a declaração em entrevista nessa terça-feira, 17, à Reuters em Beirute.
De acordo com dados do Ministério da Saúde libanês, pelo menos 111 crianças foram mortas e 334 feridas em ataques israelenses no Líbano desde 2 de março, quando o Hezbollah intensificou a ofensiva regional, números que equivalem a quase 30 crianças por dia.
Essas fatalidades no Líbano integram um total estimado de cerca de 1.200 menores mortos na região nas últimas semanas, quase 200 no Irã, quatro em Israel e uma no Kuwait, conforme os balanços divulgados por agências e autoridades locais.
Ao comentar o quadro humanitário, Chaiban alertou para o custo pago pelos menores e defendeu urgência em medidas políticas. “Elas pagaram um preço terrível. E a primeira coisa que estamos pedindo é uma redução da tensão, um caminho político para essa guerra” Em seguida ele enfatizou a necessidade de ações que reduzam imediatamente o impacto sobre civis.
Israel afirma que não tem civis como alvo deliberado e que seus avisos dão aos civis tempo suficiente para sair antes dos ataques, declaração reiterada por autoridades israelenses em comunicados oficiais.
Dados libaneses apontam que os ataques israelenses já mataram mais de 900 pessoas no Líbano desde 2 de março e que as ordens de retirada do Exército israelense deslocaram mais de 1 milhão de pessoas, entre elas 350 mil crianças, situação que amplia a urgência de apoio humanitário.
Algumas famílias buscaram abrigo em escolas públicas, muitas das quais já haviam servido como refúgio durante a guerra entre Hezbollah e Israel em 2024. As crianças que estudam há mais de cinco anos enfrentam ainda defasagens acumuladas pelo colapso financeiro do Líbano em 2019, pela explosão no porto de Beirute e pela pandemia da covid-19.
Chaiban ressaltou o efeito na rotina e no aprendizado ao descrever as consequências da violência sobre as vidas infantis. “Isso está afetando completamente a vida das crianças. Sem casa, sem escola, sem senso de normalidade” Ele completou que é fundamental encontrar maneiras de manter o aprendizado tanto dos deslocados quanto daqueles cujas escolas foram transformadas em abrigos.
A reportagem reuniu ainda informações do Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil, e entrevistas divulgadas à imprensa internacional que serviram de base para o levantamento das estatísticas e das declarações citadas aqui.

