Trump é enfático e diz que pode fazer qualquer coisa com Cuba

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No Salão Oval, durante um evento de autógrafos com repórteres, o presidente dos Estados Unidos intensificou a retórica sobre Cuba em meio às negociações em curso entre os dois países. “Acredito que terei a honra de tomar Cuba. Essa é uma grande honra. Tomar Cuba de alguma forma” A fala ocorreu em um momento de crescente pressão sobre a ilha, que enfrenta sérios problemas econômicos e energéticos.

Em sequência ao mesmo encontro com a imprensa, o presidente voltou ao tema e fez observações adicionais sobre as possíveis opções americanas. “Quero dizer, se eu a libero, se eu a tomo. Acho que posso fazer o que quiser com ela. Vocês querem saber a verdade” A mensagem se somou a outras declarações públicas que colocam pressão sobre o governo cubano no ápice das conversas bilaterais.

Em outra manifestação pública, enquanto viajava a bordo do Air Force One, o presidente afirmou sua priorização regional antes de qualquer ação sobre a ilha. “Estamos conversando com Cuba, mas vamos resolver o Irã antes de Cuba” A declaração veio acompanhada de sinais de que a Casa Branca considera múltiplas alavancas de pressão.

Em declarações isoladas durante o evento, o presidente resumiu de forma direta sua postura sobre o país caribenho. “Posso fazer o que quiser” A frase reforçou o tom de ameaças que motivou questionamentos sobre intenções e limites legais.

O New York Times reportou que a saída do presidente cubano Miguel Díaz-Canel é apontada como um dos objetivos centrais dos Estados Unidos nas negociações, conforme quatro pessoas com conhecimento das conversações. Segundo o jornal, negociadores norte-americanos teriam sinalizado que Díaz-Canel deve deixar o cargo, mas indicaram que os próximos passos seriam definidos pelos cubanos.

O presidente cubano reagiu a negociações esperando transparência sobre termos e princípios que orientem qualquer entendimento com Washington. “sob princípios de igualdade e respeito pelos sistemas políticos de ambos os países, soberania e autodeterminação” A declaração de Díaz-Canel, de 65 anos, ressalta a posição oficial de Havana quanto a não intervenção, ele que sucedeu Fidel Castro e Raúl Castro como presidente em 2018.

A pressão norte-americana tem se manifestado também em medidas econômicas, com a interrupção das remessas de petróleo venezuelano para Cuba após os Estados Unidos capturarem o então presidente venezuelano Nicolás Maduro, segundo relato jornalístico. Como consequência, autoridades cubanas afirmam não receber carga de petróleo há três meses, o que levou ao racionamento severo de energia e à paralisação de partes da economia.

O agravamento da crise energética culminou no colapso da rede elétrica nacional na segunda-feira, deixando sem luz a população da ilha, estimada em 10 milhões de pessoas. O episódio intensificou as pressões internas e externas sobre o governo de Havana e imprimiu urgência às negociações com Washington.

Historicamente, mais de uma dezena de presidentes americanos mantiveram posições críticas ao regime comunista cubano, mas os Estados Unidos honraram o compromisso assumido na resolução da crise dos mísseis de 1962 de não invadir a ilha nem apoiar uma invasão. Até o momento a Casa Branca não detalhou qual seria a base legal para qualquer eventual intervenção em Cuba, deixando em aberto questões jurídicas e diplomáticas sobre os próximos passos.

As falas do presidente americano e os relatos sobre os objetivos negociados geram apreensão sobre os termos e limites das conversas bilaterais, ao mesmo tempo em que a população cubana convive com apagões e racionamento que afetam serviços essenciais e a atividade econômica.

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